— Aí Any. — Sina cutucou. — Você bem que podia pensar em dar uma chance ao Pedro não é? — Any rolou os olhos rindo. — Ai, ele é tão fofo e te ama de verdade.
— O Pedro e eu somos apenas amigos Sina. — disse ela esperando que Sina entendesse.
Não estava a fim de se envolver com ninguém no momento, como se já não bastasse as decepções com Joshua, não fazia questão de se arriscar de novo.
O celular da cacheada tocou e as duas se entreolharam ao ver que era Josh ligando pela milésima vez, na tentativa de falar com ela.
— Esse canalha não desiste. — ela disse já pronta pra desligar.
— Espera! — Sina a impediu. — Me deixa falar com esse p****e.
Any gargalhou e entregou o aparelho à amiga que atendeu.
— Alô. — ela disse, piscando para Any.
— Any? — ele disse, com os olhos brilhando ao ver que ela tinha lhe atendido.
— Não é a Any, é a Sina. — disse se levantando. — O que você quer com a minha amiga Josh? Não achou suficiente o que fez com ela?
— Sina, olha passa para a Any. — disse acariciando os cabelos, enquanto tamborilava o volante impaciente.
— Mas nem em pensamento. — disse dando um risinho. — Não vou deixar você machucá-la mais do que o que já machucou. Sua diversão aqui já terminou, procure outra pessoa.
— Sina, eu não quero machucá-la. — disse penoso. — Eu só quero conversar pra esclarecer a nossa situação... Ouça, diga a ela que eu estou aqui na frente.
— Você o que? — franziu o cenho e foi até a janela, arregalou os olhos ao vê-lo ali, dentro do carro.
Sina acenou discretamente para Any afirmando que ele estava ali. A cacheada arregalou os olhos.
— Diga pra ela descer, por favor. — ele disse.
Any fez um sinal com a cabeça afirmando claramente que não iria falar com ele, Sina assentiu.
— A Any não vai falar com você. — disse firme.
— Por favor, Sina. — ela o interrompeu.
— Desiste Joshua, você pisou feio na bola, não vai ver a minha amiga nunca mais! — disse pedindo para Any esperar e saindo pela porta.
— Sina, eu acho que isso é um assuntou meu e da Any.
Sina rolou os olhos enquanto descia as escadas e atravessava a sala.
— Na boa você não tem nada que se meter.
— Não tenho que me meter? — ela ironizou. — Quem você pensa que é? O rei da floresta? — disse abrindo a porta e saindo. — Pois agora você vai me ouvir! — desligou o celular e foi até o carro.
Joshua a viu se aproximar e respirou fundo.
— Sai! — Sina bateu no capô do carro, o mandando sair, o loiro suspirou e saiu do veículo. — Eu não quero mais ver você importunando a Any, seu cachorro!
— Você não é ninguém pra decidir minha relação com a Any. — ele a encarou, escorando-se ao carro.
— O que você quer com a Any? — disse ignorando o que ele tinha dito. — Ah já sei... Você quer t*****r com ela outra vez, para depois jogar fora como um copo descartável não é? Você é um filho da p**a Josh. Por que não está bajulando a sua mulherzinha hein? E o seu "filhinho"... — fez aspas com os dedos. — Que está para nascer? Por que não vão comprar as coisinhas, o bercinho, as roupinhas? Hein? Ou seja, por que não vai cuidar da sua vida e esquece que a Any existe?
— Eu amo a Any. — ele confessou.
— Você ama a Any? — Sina cruzou os braços. — Nossa, que bela demonstração de amor! Um amor como o seu eu não queria nem de graça.
Ele abaixou a cabeça, olhando os sapatos.
— Você fez uma escolha... Você escolheu a sua mulherzinha, então você vai ficar com a sua mulherzinha e vai esquecer a Any! Minha amiga só tem vinte anos, tem muito que viver, tem um monte de homens solteiros que dariam uma parte do corpo pra ter o privilégio de sair com ela, por isso você vai parar de incomodá-la e vai viver a sua vida, se você insistir muito eu vou dar um toque aqui pra sua esposa, Sofya não é? — disse debochada. — Pois é, vou ter muito prazer em ligar pra ela e dizer que o marido dela continua correndo atrás da minha amiga. — pegando o celular e fazendo menção de ligar. — E isso não seria nada bom no "estado"... — fez novamente aspas. — Em que ela se encontra... — fez um biquinho. — Aqui, senhora Beauchamp. — disse fingindo ler o nome de Sofya.
— Tudo bem, eu volto outra hora. — disse ele suspirando vencido e voltando a entrar no carro.
— Outra hora não, você não é mais bem vindo aqui. — piscou. — Vai procurar seu rumo!
— Escute aqui Sina, eu escutei tudo o que você me disse calado. — ele a encarou minunciosamente. — Mas se acha que esse seu discurso vai me fazer desistir, você está muito enganada, isso eu garanto.
— Vai para o inferno seu o****o! — disse vermelha de raiva, enquanto ele ligava o carro. — Não vou mais deixar você fazê-la sofrer nunca mais entendeu? NUNCA MAIS! — ele saiu. — Seu filho da p**a! — esfregou o nariz, voltando a entrar na casa.
— Pronto, falei tudo o que estava entalado aqui na minha garganta! — disse apontando a garganta, assim que entrou no quarto.
— Vamos ver se vai resolver não é? — Any deu um sorriso de lado. — Como conseguiu fazê-lo ir embora?
— Fácil, só disse que ia ligar para a dona coelha e ele ficou com medinho e foi embora...
Any suspirou tristemente, ele provavelmente não queria que Sofya soubesse que ele estava procurando-a.
— Mas ele disse que não desistiria e voltaria.
— Que se foda... — ela bufou. — Quero que ele vá para o inferno! — se levantou e espreguiçou-se. — Vamos, não aguento mais ficar enfurnada aqui dentro.
— Claro. — Sina concordou.
As duas fecharam a casa e foram até a garagem, entraram no fusquinha de Any e saíram.
Ao chegarem a uma churrascaria no centro da cidade, pediram uma mesa e foram ver o que iriam comer.
— Está se sentindo melhor? — Sina observou Any olhar o cardápio.
— Claro. — ela sorriu. — Me sinto muito bem.
O garçom se aproximou e elas fizeram os pedidos.
— Eu adoro o churrasco daqui, é tão suculento. — a loira disse. — Olha ali amiga, que gatão. — apontou um homem sentado em algumas mesas com uma mulher pendurada ao lado.
— Um pãozinho... — Any o olhou de canto de olho. — Mas homem casado eu estou fora, foi uma vez pra nunca mais. — deu meio sorriso.
— Ai amiga, bola pra frente viu? — Sina a encarou. — Não quero ver você chorando e se ferrando por culpa de homem nenhum, você não é assim, a Any Gabrielly que eu conheço jamais faria isso.
— Eu sei. — Any assentiu. — E eu não vou chorar mais, não se preocupe. — mordeu o lábio vendo o garçom chegar com os pedidos.
Depois de servi-las ele se retira.
— Estou morrendo de fome. — Any disse dando uma garfada. — Ai que delícia... — fechou os olhos de prazer ao sentir o gosto delicioso daquele churrasco.
Sina sorriu.
— Pega purê... — a loira ofereceu. — Não tinha visto não? — confusa, pois purê era a primeira coisa que Any colocava no prato.
— Eu não quero... — deu de ombros.
— O que? — Sina ergueu a sobrancelha, estranhando. — Mas como não? Você adora purê de batata...
— Eu não sei, eu tenho certeza que se eu comer vou ficar enjoada outra vez. — suspirou. — Ando muito enjoada esses dias. — deu outra garfada. — Ai está muito bom. — se referindo a comida.
Sina a encarou, desconfiada.
— Enjoada? — perguntou e Any assentiu. — Any...
Any parou de comer e a encarou.
— Ah não Sina... — começou, já entendendo o que a amiga queria dizer. — Nem vem com essa que eu estou grávida, por que eu não estou viu? — disse sorrindo nervosa.
— Ah não? E como você sabe? — cruzou os braços. — Já fez algum exame?
— Sina. — disse começando a rir. — Eu acho que saberia se eu estivesse grávida, não?
— Não Any, você nunca esteve grávida antes pra saber como é estar grávida. — a loira tomou um gole do seu suco.
— Sina, para de falar besteira, você está me deixando nervosa. — disse tentando ignorar o nó que vinha crescendo em sua garganta.
Se bem que ela estava com a menstruação atrasada há um bom tempo e os enjoos sempre apareciam, tirando os seus s***s que às vezes amanheciam doloridos.
— Quando nós sairmos daqui, vamos passar na farmácia e comprar um teste de gravidez. — Sina disse.
— Deus me livre! — Any fez o sinal da cruz e bateu três vezes na mesa. — Eu vou ficar parecendo uma porca para depois morrer de sentir dor e parir um bebezinho chorão, que não vai me deixar dormir a noite? E pior ainda, do Josh? — negou com a cabeça. — Não obrigado.
— Se você estiver grávida, vai ter que aprender a gostar e ter paciência com bebês querida.
— Mas não se preocupe, por que eu não estou grávida. — disse querendo acreditar em sua dedução.
— Vamos ver só o que vai ser. — Sina disse e Any rolou os olhos.
As duas terminaram de comer e saíram da churrascaria. Any dirigiu até uma farmácia e pararam ali.
— Temos que ver um infalível. — Sina disse, analisando as marcas.
— Eu ainda acho isso uma grande perca de tempo, se eu estivesse grávida, eu saberia.
— Você não saberia nada e eu vou te dar minha sincera opinião... — analisando Any. — Eu acho que você está sim, você está com um pouquinho de barriga.
— Está me chamando de gorda aqui no meio da drogaria? — disse escandalizada.
— Claro que não... — olhando os testes. — Estou dizendo que sua barriguinha cresceu um pouquinho, agora com esse assunto de gravidez eu estou prestando atenção e você já está sim, com todo o perfil de uma mulher grávida.
— Sina, dá pra você parar com isso? — cruzou os braços. — Maldita hora que eu fui te falar sobre esses enjoos. — praguejou-se.
Sina gargalhou, não ligando para o ataque da amiga e chamou uma funcionária que estava ali perto.
— Querida pode me ajudar aqui, por favor? — chamou a mulher.
— Claro... — a funcionaria se aproximou simpática. — Em que posso ajuda-las?
— Qual desses aqui é o melhor em sua opinião?
— Bem, o Baby Sure sai muito, é um dos melhores... — apontando. — Mas o Confirme é o melhor que tem aqui tem 95 % de certeza, a maioria das mulheres prefere ele e os outros eu não recomendo muito não... — riu.
— Ah então acho que vamos levar esse Confirme mesmo... — sorriu pegando o kit.
— Espero que saia o resultado que a senhora espera.
— Não sou eu, é minha amiga... — apontou Any, que estava olhando os shampoos. — Any, venha aqui. — chamou.
A cacheada rolou os olhos indo até ela.
— Acha que ela parece uma grávida? — piscou. — Olha essa barriguinha. — acariciou a barriga dela, que tirou a mão da loira dali.
— Bem, a barriguinha está realmente inchadinha. — sorriu.
Any a olhou com um olhar de morte.
— Quer dizer... — sem graça.
— Está vendo Any? — Sina disse. — Seu bebezinho já está a caminho.
— Para de falar besteira Sina, não estou brincando, eu vou te meter a mão! — irritada.
— Nossa que medo que eu estou sentindo. — ironizou enquanto caminhava até o caixa, com Any atrás.
Pagaram o kit e se retiraram da farmácia.
— Vamos para a minha casa, minha mãe está no ateliê de costura e não chega agora. — Sina disse.
— Está bem... — estacionou Ronaldinho na frente da casa de Sina.
As duas saíram do carro e entraram, Any jogou-se na cama da amiga e bocejou.
— Pronto Any, vai lá... — estendendo o teste.
— Eu não estou com nenhuma vontade de mijar Sina. — bufou. — Que droga eu não estou grávida, você está paranoica.
— Any, não discuta comigo. — insistiu para que ela pegasse o teste. — Vai logo lá e torça pra dar negativo, senão você se lascou.
— E se der negativo eu vou adorar esfregar isso na sua cara. — ironizou indo até o banheiro.
Entrou no banheiro e abriu toda aquela droga, pegou a bula e começou a ler o que estava escrito, era pra fazer xixi em cima, que nojo.
Deu de ombros e levantou a sainha que usava abaixando a calcinha, abriu as pernas e ficou segurando o teste ali embaixo, fez xixi e durante o processo deixou o teste entre as pernas. Em seguida levantou-se, tapou outra vez e deixou ali, teria que esperar cinco minutos.
Saiu do banheiro e encontrou Sina deitada na cama.
— Prontinho... — Any abriu um sorriso se jogando em cima da amiga.
— Quanto tempo é pra esperar?
— Cinco minutos. — disse pegando o ursinho. — Se der positivo posso pegar o Piruleibe e levar embora? — disse abraçando o ursinho de Sina, o qual ela era apaixonada.
— Não mesmo! — tomando dela. — É meu, sua feia. — imitando criança.
Any gargalhou e continuou a pentelhar a amiga.
— Já, vou lá buscar! — Sina disse.
Any engoliu o seco, que Deus a ajudasse e que aquele troço desse negativo, não aguentaria além de tudo ainda estar grávida de Joshua naquelas circunstâncias.
— O que é positivo? — Sina berrou de dentro do banheiro.
— Duas tirinhas vermelhas. — Any respondeu.
— E negativo?
— Uma tirinha. — rolou os olhos e Sina saiu do banheiro. — E então? — disse com os nervos a flor da pele.
— É... — suspirou. — Acho que foi alarme falso. — mostrando o teste com apenas um pauzinho.
Any sorriu aliviada.