Kol voltou dois dias depois.
Sem aviso.
Sem pedido.
Kayte estava sentada na pequena mesa da cozinha, tentando organizar contas que não fechavam, quando ouviu a batida seca na porta. Já sabia quem era antes mesmo de abrir.
Ele estava ali, do mesmo jeito de sempre: postura relaxada demais para alguém que carregava tanto poder. Na mão, um envelope grosso.
— Toma — disse ele, estendendo o braço.
Kayte nem tocou.
— Não. Eu não quero seu dinheiro sujo.
Kol arqueou uma sobrancelha e riu baixo.
— Sujo não — respondeu. — Eu não sou tão r**m assim, tá?
Ela soltou uma risada curta, sem humor.
— Sei. Você só faz o que tem que fazer. Enfim… é seu dinheiro. Eu não quero.
Kol avançou um passo e colocou o envelope sobre a mesa.
— Você não tem opção. Toma.
Kayte cruzou os braços, o olhar afiado.
— Eu quero saber uma coisa — disse, firme. — Desde quando você achou que podia mandar na minha vida? Que eu saiba, nunca te dei a******a pra isso.
Kol inclinou a cabeça, divertido.
— Aí, garotinha…
— Eu não sou garotinha, tá? — ela cortou, irritada.
O sorriso dele cresceu.
— É sim. E tá fazendo coisa errada.
Kayte sentiu o sangue ferver.
— A coisa errada aqui é você mandar em mim! — disparou. — Me proibir de trabalhar e ainda querer me dar dinheiro. Vai pedir pra eu ser sua mulher também, é?
Kol riu de verdade dessa vez, o som grave ecoando no cômodo pequeno.
— Tá se sentindo muito, não acha?
Ela deu um passo à frente, sem baixar os olhos.
— Eu não me sinto. Eu sei quem eu sou.
Virou de costas, indo em direção à porta do quarto.
Kol respirou fundo, a paciência no limite.
— Ei — chamou. — O dinheiro.
— Não quero.
Kayte entrou e fechou a porta com força.
O silêncio que ficou foi pesado.
Kol ficou parado por alguns segundos, encarando o envelope esquecido sobre a mesa. Passou a mão pelo rosto, soltou uma risada curta e saiu.
Do lado de fora, Orelha e n***o tinham visto tudo.
Os dois caíram na gargalhada assim que Kol se aproximou.
— Você tá fudido, cara — disse Orelha, enxugando os olhos. — Essa aí é tinhosa.
Negão assentiu, ainda rindo.
— Vai ser difícil.
Kol entrou no carro, o sorriso lento voltando ao rosto — mas agora havia algo diferente nele.
— Difícil é pouco — murmurou. — Mas eu gosto de coisa que dá trabalho.
Orelha balançou a cabeça.
— Você percebeu, né?
Kol ligou o carro.
— O quê?
— Que ela não vai aceitar dinheiro… — Orelha sorriu. — Mas vai acabar te enfrentando até o fim.
Kol acelerou, os olhos escuros focados na rua.
— Então a gente vai até o fim.
Porque Kayte não se vendia.
Não se dobrava.
Não se calava.
E exatamente por isso, Kol sabia:
Ela seria a única mulher capaz de destruí-lo…
ou de fazê-lo pedir algo que nunca pediu a ninguém.
No próximo passo, não seria dinheiro.
Seria um acordo.
E ela ia odiar cada palavra.