O segundo dia de trabalho começou errado.
Kayte sentiu isso no estômago assim que entrou no clube. O mesmo uniforme. O mesmo batom vermelho. Olhares mais ousados. Risadas mais altas. Bebida demais.
Ela se manteve firme.
Até não dar mais.
O homem estava bêbado. Grande. O cheiro forte de álcool veio antes da mão. Ele a puxou pelo braço quando ela passou com a bandeja.
— Calma aí, linda…
Kayte reagiu no instinto.
— Me solta.
Ele apertou mais forte, tentando rir.
— Qual é, só um carinho—
O impacto veio rápido.
O homem foi jogado contra a mesa com tanta força que os copos caíram. O som seco do corpo batendo ecoou pelo salão. Antes que alguém entendesse o que estava acontecendo, Kol já estava ali.
Imenso. Furioso. Mortal.
— Some da minha frente — disse ele, baixo.
O homem tentou falar algo, mas o olhar de Kol calou qualquer coragem restante. Dois segundos depois, seguranças arrastavam o bêbado para fora.
Kayte tremia. De raiva. De susto. De adrenalina.
Ela respirou fundo, ajeitou o vestido, virou-se para Kol.
— Obrigada — disse, firme. — Mas eu sei me cuidar, tá?
Kol a encarou como se ela tivesse acabado de mentir para si mesma.
— Não — respondeu. — Não sabe.
Ela abriu a boca para retrucar.
— Vamos comigo.
— Ei, não — ela deu um passo para trás. — Peraí. Não é porque você manda no bairro que manda em mim.
O canto da boca de Kol se curvou num meio sorriso perigoso.
— Garotinha… — ele se aproximou um pouco mais — não piora as coisas.
Kayte cruzou os braços.
— Eu não sou sua.
Kol riu baixo. Um riso sem humor.
— Não disse que era.
Ele colocou o terno no ombro dela, num gesto quase casual, mas carregado de domínio.
— Agora vamos. Pro carro.
Ela queria dizer não.
Queria gritar.
Queria correr.
Mas algo na presença dele dizia que discutir ali só faria tudo pior.
O trajeto foi em silêncio.
Quando o carro parou em frente à casa simples de Kayte, ela abriu a porta rápido.
— Já acabou — disse.
Kol saiu do carro também.
— Ei, garotinha — chamou. — Não vai me agradecer?
Ela virou devagar, o olhar afiado.
— Obrigada, tá… chefe.
Entrou em casa sem olhar para trás.
Kol ficou ali, alguns segundos, olhando a porta fechada. Um sorriso lento surgiu no rosto.
— Meu terno, né — murmurou, divertido.
Ela abriu a porta de novo só o suficiente pra jogar as palavras no ar:
— Claro que não. Pra que eu ia querer isso?
E fechou.
Kol riu.
No carro, Orelha e n***o observavam tudo.
— Você acabou de se apaixonar — disse Orelha, balançando a cabeça.
Kol entrou no carro ainda sorrindo.
— Eu ia mentir se dissesse que não.
Negão cruzou os braços.
— Isso vai ser divertido.
Kol ligou o carro, o sorriso desaparecendo aos poucos.
— Divertido não — corrigiu. — Perigoso.
Porque Kayte não era só uma mulher que ele queria proteger.
Ela era o caos que ia obrigá-lo a quebrar todas as próprias regras.
E muito em breve…
ela não teria escolha.