nao é pedido e aviso

531 Words
O segundo dia de trabalho começou errado. Kayte sentiu isso no estômago assim que entrou no clube. O mesmo uniforme. O mesmo batom vermelho. Olhares mais ousados. Risadas mais altas. Bebida demais. Ela se manteve firme. Até não dar mais. O homem estava bêbado. Grande. O cheiro forte de álcool veio antes da mão. Ele a puxou pelo braço quando ela passou com a bandeja. — Calma aí, linda… Kayte reagiu no instinto. — Me solta. Ele apertou mais forte, tentando rir. — Qual é, só um carinho— O impacto veio rápido. O homem foi jogado contra a mesa com tanta força que os copos caíram. O som seco do corpo batendo ecoou pelo salão. Antes que alguém entendesse o que estava acontecendo, Kol já estava ali. Imenso. Furioso. Mortal. — Some da minha frente — disse ele, baixo. O homem tentou falar algo, mas o olhar de Kol calou qualquer coragem restante. Dois segundos depois, seguranças arrastavam o bêbado para fora. Kayte tremia. De raiva. De susto. De adrenalina. Ela respirou fundo, ajeitou o vestido, virou-se para Kol. — Obrigada — disse, firme. — Mas eu sei me cuidar, tá? Kol a encarou como se ela tivesse acabado de mentir para si mesma. — Não — respondeu. — Não sabe. Ela abriu a boca para retrucar. — Vamos comigo. — Ei, não — ela deu um passo para trás. — Peraí. Não é porque você manda no bairro que manda em mim. O canto da boca de Kol se curvou num meio sorriso perigoso. — Garotinha… — ele se aproximou um pouco mais — não piora as coisas. Kayte cruzou os braços. — Eu não sou sua. Kol riu baixo. Um riso sem humor. — Não disse que era. Ele colocou o terno no ombro dela, num gesto quase casual, mas carregado de domínio. — Agora vamos. Pro carro. Ela queria dizer não. Queria gritar. Queria correr. Mas algo na presença dele dizia que discutir ali só faria tudo pior. O trajeto foi em silêncio. Quando o carro parou em frente à casa simples de Kayte, ela abriu a porta rápido. — Já acabou — disse. Kol saiu do carro também. — Ei, garotinha — chamou. — Não vai me agradecer? Ela virou devagar, o olhar afiado. — Obrigada, tá… chefe. Entrou em casa sem olhar para trás. Kol ficou ali, alguns segundos, olhando a porta fechada. Um sorriso lento surgiu no rosto. — Meu terno, né — murmurou, divertido. Ela abriu a porta de novo só o suficiente pra jogar as palavras no ar: — Claro que não. Pra que eu ia querer isso? E fechou. Kol riu. No carro, Orelha e n***o observavam tudo. — Você acabou de se apaixonar — disse Orelha, balançando a cabeça. Kol entrou no carro ainda sorrindo. — Eu ia mentir se dissesse que não. Negão cruzou os braços. — Isso vai ser divertido. Kol ligou o carro, o sorriso desaparecendo aos poucos. — Divertido não — corrigiu. — Perigoso. Porque Kayte não era só uma mulher que ele queria proteger. Ela era o caos que ia obrigá-lo a quebrar todas as próprias regras. E muito em breve… ela não teria escolha.
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