1. Tente novamente

1864 Words
1. Tente novamenteEm Kobuleti, numa estância turística à beira-mar na costa leste do Mar n***o na ex-República Socialista Soviética da Geórgia, Jake Vickers, Alex Tuck e Nicola Orsini pousaram no telhado de um prédio de apartamentos abandonado. Eles estavam à procura de um homem que ficara de aparecer. "Como estão as coisas na Ucrânia?" Jake perguntou. "Na mesma. Entregando armas aos ucranianos e treinando os pilotos", disse Nicola. "No geral, eles parecem ser muito competentes." Nicola e Alex estavam concluindo uma missão de treino de equipamentos para a SRD – Strategic Resources Development, a empresa de contratação militar de Jake e Tess. "Ficamos surpresos quando você pediu para nos apressarmos até aqui", Alex acrescentou. "Eu pensei que nós já estávamos trabalhando para a CIA." "Eu também pensei", Jake respondeu olhando através dos binóculos. O problema é que Paul Saunders, o meu antigo chefe na CIA, é um desgraçado persistente. Ele insiste que devo a ele pelo fato de não conseguir organizar o assassinato de Kim Jung-un." "Alguma ideia do que aconteceu na Coréia do Norte?" "Park Tan-Gyong, um famoso violoncelista, estava decidido a vingar-se depois de Kim Jung-un ter assassinado vários dos seus parentes. Ele decidiu que faria um ataque suicida contra Kim e a sua família. Eu não conseguia convencê-lo a esquecer essa ideia, então depois de conversar com a CIA, eu relutantemente aceitei ajudá-lo. Paguei pela construção de um novo violoncelo com um compartimento escondido para guardar um pacote de pó de cádmio mortal. Park, então, foi a um concerto particular no palácio de Kim e jogou o pacote na pequena plateia. A bolsa fina rebentou, espalhando o veneno e, em segundos, as pessoas caíram mortas. Infelizmente, Kim suspeitou que algo estava para acontecer porque um dublê que o substituiu no concerto. Depois, um general norte-coreano tentou organizar um golpe, mas Kim impiedosamente o suprimiu. Agora ele está mais paranoico do que nunca e está testando mais armas nucleares e lançando mísseis no Mar do Japão, ameaçando os bons e velhos EUA e os seus aliados com aniquilação." Alex deu de ombros. "Às vezes as coisas correm m*l. Eu não posso acreditar que você ainda se culpa por isso." "Isso não me incomoda", disse Jake. "Foi uma jogada ambiciosa. De qualquer forma, a CIA me deu uma cenoura: uma chance de encontrar um velho conhecido nosso, Laurent Belcour." "Ele de novo?" "Sim", disse Jake. "Desculpe vir aqui pedir isso a vocês de surpresa. Eu preciso de pessoas que falem russo e turco fluentemente." "Ao seu serviço", disse Nicola. "Eu tive que me esforçar para retocar o turco no caminho até aqui." Jake continuou a olhar através dos binóculos. "Ele está vindo. Hora de ir, pessoal." Alex e Nicola desceram o prédio. Eles correram para uma pequena ponte sobre um rio apressado para encontrar seu contato, Isidore Khujadze. Eles já tinham conversado com o homem ao telefone. Nicola afirmou ser turco e Alex, um contrabandista russo. Os homens apertaram as mãos, entraram em um pequeno carro delapidado e foram para um pequeno apartamento na cidade. A transação planejada era comprar material que valesse mais do que o seu peso em ouro: alguns quilos de urânio radioativo, incluindo algum urânio-235 de grau militar. A proveniência do material era um pouco incerta, mas Nicola e Alex garantiram a Isidore que eles não se importavam. Jake seguiu, de longe, os homens no seu SUV alugado com um par de "recursos" no banco detrás, Tess Turner e Galina Kutuzova, ambas vestidas com uniformes militares escuros e carregando rifles de precisão. Quando os homens chegaram em frente a um prédio de apartamentos em ruínas, Jake estacionou o carro atrás de um pequeno amontoado de árvores. Usou os seus binóculos e viu os três homens entrando no prédio. Um minuto depois, alguém acendeu a luz num apartamento no segundo andar. Jake caminhou sorrateiramente até a frente do prédio, mas as duas mulheres ficaram para trás e esconderam-se atrás das árvores. Eles começaram a calibrar as miras dos rifles de alta potência que tinham nas suas mãos. Se Isidore tivesse material nuclear para vender, Jake tinha a certeza de que vinha da Rússia. Quando a União Soviética entrou em colapso, alguns materiais nucleares foram roubados de fábricas nucleares m*l protegidas, levando à formação de redes de contrabando que tentavam vender as coisas perigosas aos maiores licitantes. A maioria dos contrabandistas foi interceptada pelas autoridades, graças aos detectores nucleares instalados nos pontos de fronteira. Apesar de terem apreendido muitas pessoas, isso não impediu que continuassem a contrabandear materiais perigosos. Um local de contrabando popular era a Abkhazia, uma faixa de terra que se separou da Geórgia graças à interferência russa. Problemas semelhantes ocorreram na Ucrânia, particularmente nas zonas controladas por rebeldes de Donetsk e Luhansk. O contrabando nesta área foi facilitado pela destruição de 29 detectores de radiação devido à guerra entre a Ucrânia e as regiões fronteiriças ocupadas pela Rússia. Jake esperou do lado de fora da porta principal do prédio. A transação e a troca de dinheiro no andar superior prosseguiram sem incidentes. Jake sabia porque Nicola estava usando uma escuta eletrônica. Em pouco tempo, Isidore entregou uma pequena caixa de chumbo que continha material nuclear. Ele então correu para a porta de saída enquanto segurava uma mala com o dinheiro e desceu correndo pelas escadas. Na saída, ele esbarrou em Jake, que tinha uma pistola na mão. "É melhor você vir conosco em silêncio", disse Jake. Alex correu para baixo e juntou-se a eles. Ele tirou uma abraçadeira plástica do bolso e prendeu as mãos de Isidore. Nicola falou num dispositivo de comunicação e apenas disse: "Tudo limpo." Galina confirmou fazendo sinal de positivo para Tess Turner, que observava o procedimento através de uns binóculos. Antes que a equipe tivesse a oportunidade de chamar a polícia local que estava esperando num carro a um quarteirão de distância, dois homens apareceram de repente e apontaram pistolas para Jake, Nicola e Alex. Eles os obrigaram a ajoelhar enquanto gritavam ordens a Isidore, que tentava apanhar a caixa de chumbo agora no chão. Dois tiros quebraram a noite e os dois recém-chegados caíram no chão. Jake e Alex chutaram as suas armas para longe, e Nicola deu uma boa olhada em Isidore antes de assegurar a caixa. Pouco depois, agentes georgianos guincharam seu veículo em frente ao prédio e prenderam o trio de traficantes. Tess e Galina caminharam casualmente para o local enquanto acomodavam as armas nos ombros. "Estou feliz em vê-las, senhoras", disse Nicola. "O seu timing foi perfeito e a pontaria foi impressionante." "De nada", disse Tess, "Só fiz o meu trabalho." Galina caminhou até Alex e deu um grande beijo nele. Ele sorriu e abraçou-a. "Agora pode se gabar de ter me salvado." "Nada disso", respondeu Galina. "Além disso, seria muito trabalhoso encontrar um novo homem." Ela deu-lhe outro beijo. Tess e Jake replicaram a mesma cena, com um pouco mais de moderação. Nicola assistiu ao processo com um olhar divertido. Tess notou e brincando o repreendeu. "Não são permitidos voyeurs! Ligue para Carmen em Nova York e diga a ela que você está bem." Nicola fez um sinal de confirmação e discou um no celular. Mais tarde, o grupo se encontrou no posto da Polícia. Agentes da Inteligência local já estavam interrogando os contrabandistas, dois dos quais tinham ataduras sangrentas em volta das pernas. Jake, Tess e a equipe pegaram refrigerantes da máquina e relaxaram ao redor de uma mesa na sala ao lado. "Por que será que o Belcour ainda está envolvido no contrabando de material radioativo?", perguntou Alex. "Poderiam pensar que depois que o Estado Islâmico o enganou, desviando uma das suas bombas nucleares norte-coreanas para o Irã, em vez de usá-la na Europa, ele manteria um perfil discreto." "Ele não precisa. Nós não conseguimos culpá-lo por esse episódio desagradável. De qualquer forma, ele sabiamente tomou a precaução de se mudar temporariamente para a Argentina. Agora a CIA suspeita que ele é o mentor por trás dessa operação de contrabando. Já que ele já não consegue as armas nucleares da Coréia do Norte, a análise é que ele está coletando urânio suficiente para fazer uma bomba." "Por que ele iria querer fazer isso? Ele é um homem rico." "Não é o dinheiro. Acredito que Belcour esteja agora à procura de vingança", disse Tess. "Ele quer retaliar o governo francês por tê-lo acusado de promover prostituição, algo que em sua mente não deveria ser chocante. Na época, ele era o chefe da IDO, a Organização Internacional de Desenvolvimento e teve a oportunidade de se candidatar à presidência da França. Como de costume, os seus advogados conseguiram a sua absolvição, mas isso custou-lhe muito caro." "Isso despedaça o meu coração", disse Galina, enquanto esticada num degrau, confortavelmente encostada em Alex, com o seu braço à volta dela. "O que me preocupa é que fomos nós que frustramos os seus planos e que ele pode estar à procura de vingança." "Tem razão, Galina. Eu acho que Belcour viria atrás de nós," disse Jake. "É por isso que eu concordei em fazer um último trabalho para a CIA e ter a oportunidade de finalmente apanhá-lo." Um dos agentes georgianos entrou na sala, o seu semblante era triste. Ele limpou algumas gotas de sangue das mãos e sentou-se. "As feridas não são graves. Encorajamos os homens a falar, mas é óbvio que eles foram contratados por terceiros que não existem oficialmente. Nós poderíamos bater nos homens até a morte, mas eu não acho que eles tem muito para nos dizer. Eles estão nisso por dinheiro e não se importam de onde ele vem." "Isso é decepcionante", disse Jake. "Vamos deixar os idiotas ao seu cuidado e descobrir uma nova abordagem." O agente georgiano apertou sua mão. "Obrigado pela ajuda. Tenha uma boa viagem de volta para casa." Assim que voltaram ao hotel, a equipe se encontrou no bar para beber. Jake não estava feliz. "Estou frustrado. Toda vez que tentamos apanhá-lo, Belcour consegue fugir. Existe um provérbio chinês que diz: ‘Se não mudarmos nossa direção, provavelmente acabaremos por chegar aonde estamos indo.’ Isso descreve perfeitamente o que estamos fazendo. Não estamos chegando em lugar nenhum. Temos que encontrar outro jeito de apanhá-lo." "Belcour é osso duro de roer", disse Tess. "Ele pode pagar os melhores advogados e usá-los de forma agressiva. Além disso, ele tem acesso a várias casas em muitos lugares. Quando as coisas ficaram feias da última vez, ele fugiu para a Argentina." "A CIA me disse que Belcour não está lidando com os norte-coreanos", acrescentou Jake. "Aparentemente ele teve uma briga com eles. Só consigo pensar numa maneira de fazer uma bomba suja com o lixo nuclear, e isso é ir até o Estado Islâmico, os seus velhos amigos jihadistas na Síria." "Mas o Estado Islâmico o enganou da última vez quando eles venderam a bomba nuclear norte-coreana para o Irã, em vez de usá-la na Europa, como queria Belcour." "Não há honra entre os ladrões", disse Tess. "Belcour não tem escolha senão perdoá-los. O Estado Islâmico é a única organização que pode transformar o lixo nuclear numa bomba suja". "Mas o Estado Islâmico não tem laboratórios para fazer isso", disse Alex. "Terroristas não precisam de laboratórios. Se eles fizerem tal bomba, provavelmente forçarão prisioneiros a montá-la. Eles não se importam se eventualmente morrerem de envenenamento produzido pela radiação." "Triste, mas é verdade", Alex concordou. "O que fazemos agora?", Nicola perguntou. "Francamente, eu não sei", disse Jake. "Vamos ter que dançar conforme a música e ficar de olho nas coisas. Vamos para casa."
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