4. Almas gêmeas

559 Words
4. Almas gêmeasNum belo dia de verão em Buenos Aires, Laurent Belcour estava ao telefone conversando com o seu sócio Bertrand Dubois sobre o desempenho financeiro de vários bordéis e serviços de acompanhantes que possuíam em várias partes do mundo. Ele também soube de um sério contratempo: Isidore Khujadze, em vez de entregar o material nuclear ao pessoal de Dubois, tentou vender o material para agentes da CIA que se apresentavam como compradores. Isso era irritante e frustrante porque Belcour, anteriormente, não conseguiu que o Estado Islâmico implantasse uma arma nuclear que contrabandeara da Coréia do Norte. A intenção era detonar a bomba em algum lugar da Europa, apenas para fazer com que europeus e americanos respondessem aumentando seus gastos com armas, beneficiando, assim, os principais fabricantes de armas nos quais ele tinha investimentos significativos. O caos e a devastação que teriam ocorrido não interessavam a ele. Tudo o que ele queria era beneficiar a sua margem de lucro e se vingar da França, o seu país natal, por tê-lo levado a julgamento por promover a prostituição. A porta da frente abriu e Fadime chamou o seu nome. "Eu preciso ir", Laurent disse enquanto desligava o celular. Fadime al-Saadi entrou no seu apartamento e foi até a estante de livros para desligar o aparelho de som, tocando música suave e clássica. Laurent virou-se e descansou os olhos no seu atual objeto de afeição. Só de olhar para o rosto dela, ele sabia que ela estava chateada. "Qual é o problema, minha querida? Qualquer coisa que eu possa fazer para te animar?" "Não, mas pode se preparar para viajar. Vamos à Nova York para uma reunião com os meus advogados. Eles querem falar sobre o testamento do meu irmão Amir." "Isso é estranho. Você não herdou todos os recursos de Amir quando morreu?" "Não, só continuei recebendo minha mesada como de costume. Por alguma razão, a maioria dos recursos de Amir foram aplicados a um fundo. A concessão era que o conteúdo do seu testamento seria revelado em determinado momento no futuro. Segundo os administradores, chegou a hora de divulgar as cláusulas do testamento." "Por que agora? Isso é incomum." "Tudo no Amir era incomum. Eu só posso imaginar que ele deixou algo para a sua filha, Aara, quando ela atingisse uma certa idade. Espero que agora eu possa dispor das várias propriedades que tenho na Europa." Laurent levantou-se e a beijou na testa. "Eu ficarei feliz em acompanhá-la, meu amor." "Guarde seus sentimentos, Laurent. Nós temos um voo hoje à noite. Eu já instruí os caseiros a prepararem o meu apartamento em Manhattan." "Parece um excelente plano de fuga deste lugar. Eu estava começando a ficar entediado." "Tenho certeza que você pode pensar em maneiras de se manter entretido. Vá fazer as malas." "Seu desejo é uma ordem, minha querida", disse ele enquanto acariciava seu amplo e recém-melhorado seio. "Os cirurgiões cosméticos argentinos foram ótimos." Fadime escapou do abraço e saiu pela porta. "Eu preciso pegar algumas coisas para a viagem. Volto daqui a algumas horas. Sugiro comer antes de embarcar no avião. Eu odeio comida de companhia aérea." Laurent já tinha voltado para as telas do computador exibindo um resumo dos seus investimentos. Ele também estava pensando na sua grande inimiga – Tess. Ele tinha certeza de que ela e Jake tinham algo a ver com a perda do material nuclear em Kobuleti. Eles nunca falharam em frustrar os seus planos. Um dia ele conseguiria se vingar.
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