Capítulo 93 — Morte O ar na laje do Vidigal estava tão pesado que parecia que eu estava respirando chumbo. O cheiro de pólvora queimada e o suor frio grudavam na minha pele, mas nada incomodava mais do que a imagem daquela manchete na TV. Eu, o "inimigo número um". Eu, o terrorista. O Coronel Lauro tinha me cercado com uma canetada, e agora o mundo inteiro queria o meu couro. Eu olhei para a Lia. Ela estava ali, de pé, com o fuzil atravessado no peito, mas os olhos dela não estavam na guerra lá fora. Estavam no tabuleiro invisível que ela montava na cabeça. Ela era a Patroa por um motivo. Enquanto eu pensava em quantas balas ainda tinha no pente, ela pensava em como asfixiar o sistema que nos caçava. — Lia, escuta aqui — falei, minha voz saindo rouca, vindo lá do fundo do peito. Eu me a

