Capítulo 24 — Lauro O asfalto sob a chuva tem um brilho que me agrada. É o brilho da ordem, da autoridade, da minha cidade. Enquanto o motor do sedã preto ronca suavemente, subindo a ladeira em direção à casa de DG, eu ajusto o nó da gravata. Olho-me no retrovisor e vejo o que o mundo vê: um Coronel da Polícia Civil, um homem que carrega o peso do Estado nos ombros. Mas, por trás do distintivo, eu vejo o arquiteto. trinta anos construindo uma carreira sobre alicerces que o código penal não ousa mencionar. Vinte anos equilibrando pratos entre os gabinetes de Brasília e os valões do crime. E agora, o meu maior investimento está logo ali, atrás daquelas paredes de mármore. Lia. Eu não sinto culpa. A culpa é um luxo para homens sem visão. Quando a entreguei ao Barão, ainda pequena, não fo

