Capítulo 31 — Morte O Rio de Janeiro é um cemitério a céu aberto, e eu sou o coveiro que perdeu a chave do portão. Já faz três dias que o rastro da Lia esfriou, e o meu sangue parece ter virado chumbo. Eu revirei a Baixada. Quebrei mandíbulas em São João de Meriti, queimei carros em Nilópolis e deixei um rastro de corpos que a polícia vai levar meses para catalogar. Mas nada. Ela sumiu como fumaça de tiro: deixa o cheiro, mas você não consegue segurar com as mãos. Estou sentado no banco de trás de um Corolla preto, estacionado em um posto de gasolina na beira da Avenida Brasil. A chuva fina bate no vidro, distorcendo as luzes da cidade. O rato está ao volante, tenso, os dedos batendo no couro do volante como se estivesse contando os segundos para eu explodir. — Você não pode entrar no

