Capítulo 38 — Lia O quarto na pensão da dona Zuleide estava mergulhado na penumbra, iluminado apenas pelo brilho fantasmagórico da tela do meu celular. O silêncio da favela era enganoso; eu conseguia sentir a eletricidade no ar, o cheiro de chuva e pólvora que parecia vir de longe. Eu tinha saído do escritório do Barão sob o pretexto de estar "abalada demais" pelo ataque do Baiano. O velho, em sua possessividade doentia, me deixou vir para a pensão sob a guarda de dois soldados na porta, achando que eu precisava de repouso. Peguei o aparelho e disquei o número que eu conhecia de cor, mas que evitava usar. O coração batia contra as costilas como um animal enjaulado. — Não ouse cruzar a fronteira do Camará — eu disse, sem nem esperar ele atender direito. Do outro lado da linha, o silênci

