Capítulo 91 — Lia O cheiro de sangue e pólvora já fazia parte do meu perfume. Minhas mãos, firmes no cabo do fuzil, não tremiam, mas meu coração batia em um ritmo que eu não conseguia controlar. Não era medo — o medo eu tinha enterrado há muito tempo nas valas comuns deste estado — era a sensação de que o tabuleiro tinha virado de uma forma que nem mesmo o Morte, com toda a sua brutalidade, conseguiria peitar sozinho. Olhei para o Morte — Ele estava ali, ofegante, com os olhos injetados de ódio, olhando para o celular como se pudesse matar o Coronel Lauro apenas com a força do pensamento. A manchete da TV ainda brilhava na tela: o rosto dele estampado como o maior terrorista do país. O plano do Lauro foi cirúrgico. Ele não queria apenas o corpo do Morte; ele queria a alma, a reputação e

