Capítulo 18 — Lauro O gabinete no quartel general cheirava a lustra-móveis caro e a um autoritarismo secular. Da minha janela, eu não via apenas o Rio de Janeiro; eu via um tabuleiro de xadrez onde as peças eram feitas de carne, osso e obediência. Eu não sou apenas um Coronel da Polícia Militar; sou o homem que decide quem vive e quem vira estatística nos jornais da manhã. Girei a poltrona de couro, encarando a penumbra da sala. Sobre a mesa, o dossiê da minha filha, Lia, estava aberto. Aquela garota sempre foi o meu maior investimento e, ao mesmo tempo, a minha maior decepção. Ela tem o meu sangue, a minha determinação, mas herdou a fraqueza emocional da mãe — aquela mulher que ousou me trair entregando a própria filha a um marginal. Bati com os dedos ritmadamente no tampo da mesa. O

