Capítulo 42 — Morte O rádio na minha cintura não parava de chiar, e cada palavra que saía dali era uma facada no meu prestígio. Eu estava no topo da laje, observando os clarões das sirenes na entrada da comunidade. O mundo estava desmoronando aos meus pés. — Patrão, as duas carretas na Dutra... já era. O BOPE cercou tudo. O carregamento que ia para a cúpula do Comando foi apreendido. Eles sabiam exatamente onde o batedor estava parado — a voz do meu gerente tremia. Eu não respondi. Senti o gosto de ferro na boca. Aquele carregamento não era meu; eu era o fiel da balança, o homem responsável por fazer a mercadoria da Colômbia chegar às mãos da cúpula. Perder aquilo era mais do que um prejuízo milionário; era perder a confiança de quem manda no Rio de Janeiro. E no crime, a confiança é a

