Capítulo 34 — Lia O interior do SUV blindado parecia uma câmara de vácuo. O silêncio era tão pesado que eu conseguia ouvir a engrenagem do relógio de ouro no pulso do Barão. Ele não gritava mais. O ódio dele tinha passado do estágio de ebulição para o de congelamento — uma fúria lúcida e cortante, muito mais perigosa. O Baiano, ao volante, mantinha os olhos fixos no retrovisor, esperando o estouro. Ele veio através do rádio, mas não o da polícia. O rádio interno do bicho. — Barão... Barão, na escuta? — A voz do outro lado estava trêmula, carregada pelo som de sirenes ao longe. — Acabaram de bater na central da Zona Norte. Três bancas no chão. Levaram o malote e executaram os seguranças. O recado foi o mesmo: o Rio tem dono e o nome dele é Morte. O Barão fechou os olhos. Vi a mandíbula

