Capítulo 33

1440 Words

Capítulo 33 — Lia O escritório do Barão se transformou em uma sala de guerra silenciosa. Na mesa, um rádio transmissor sintonizado na frequência da PM chiava constantemente, cuspindo códigos que para qualquer civil seriam grego, mas para mim eram sentenças. — Unidade 04 em posição. Fábrica de gelo avistada. Movimentação intensa nos fundos. — A voz do policial saía metálica, desprovida de humanidade. O Barão estava encostado na janela, de costas para mim, observando o mar de luzes da favela lá embaixo. Ele parecia um deus antigo esperando o sacrifício ser oferecido no altar para acalmar sua fúria pelo prejuízo na Baixada. Eu estava sentada no sofá de couro, as mãos entrelaçadas para esconder o leve tremor que insistia em aparecer. Ódio. Era isso que eu deveria sentir pelo Morte. Ele me

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