Capítulo 39

1539 Words

Capítulo 39 — Morte O gosto amargo da derrota — ou o que parecia ser uma — descia pela minha garganta como veneno puro. Eu estava com o sangue fervendo, o dedo latejando no gatilho do fuzil e o comboio pronto para transformar o Camará em um deserto de escombros. Eu queria ver as chamas, queria ouvir o estalo das estruturas cedendo, queria o pescoço do Barão entre as minhas mãos. Mas a voz dela... a voz da Lia ainda ecoava no meu ouvido, fria, cortante e terrivelmente lúcida. — Recua a tropa! — gritei, minha voz saindo como um rugido visceral que fez os soldados ao redor, homens acostumados com o som da morte, saltarem de susto. Rato, que já estava com a mão na maçaneta do blindado, com o pé pronto para subir, me olhou como se eu tivesse acabado de proferir uma blasfêmia. Ele limpou o su

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