Capítulo 17

1310 Words

Capítulo 17 — Morte O sol no morro não nasce, ele pede licença. A luz da manhã entrou pelas frestas da persiana, cortando o quarto com lâminas de claridade que denunciavam a zona que aquela noite tinha sido. O cheiro dela ainda estava impregnado em tudo: nos lençóis revirados, no meu corpo, no ar pesado. Lia dormia ao meu lado com uma calma que não condizia com o caos que carregava no peito. Olhando para ela assim, com o rosto relaxado e o cabelo espalhado pelo meu travesseiro, era difícil lembrar que, horas atrás, ela estava me desafiando a ponto de me fazer querer quebrar o mundo. Ela era a minha ruína, sim. Mas era a única coisa que me fazia sentir que eu ainda era um homem, e não apenas uma máquina de guerra. Levantei devagar para não acordá-la. Meus músculos reclamavam, um lembrete

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