Capítulo 59 — LIA Acordei com a claridade estourando nas frestas da cortina, mas o que me despertou de verdade foi o frio. Passei a mão pelo lado esquerdo da cama, buscando o calor do corpo do Morte, mas encontrei apenas o lençol esticado e vazio. — Morte? — chamei, a voz ainda rouca de sono. Silêncio. Apenas o som distante de algum rádio de comunicação chiando longe. Ele não estava ali. Levantei-me sentindo o corpo pesado, consequência da adrenalina da noite anterior, mas minha mente estava afiada como uma navalha. Tomei um banho gelado para espantar o resto da hesitação que ainda tentava se alojar no meu peito. Fiz minha rotina, vesti uma roupa prática, mas que impunha respeito, e desci. O casarão parecia maior e mais sombrio pela manhã. Quando entrei na cozinha, o cheiro de café fre

