Capítulo 8 — Morte Eu não dormi naquela noite. Depois que me afastei da porta do quarto dela, fiquei rodando pela casa como se o chão estivesse quente demais pra ficar parado. Abri janela, fechei janela. Fui até a cozinha, voltei. Nada encaixava. A imagem dela deitada, respirando devagar, voltava inteira, sem pedir licença. Não como lembrança. Como presença. Eu não devia ter parado ali. Não devia ter olhado. Mas olhei. Passei a mão no rosto, forte, como se fosse possível apagar aquilo da pele. Já vi coisa pior. Já encarei arma na cara. Já ouvi último suspiro. Nada disso mexeu comigo como aquela cena simples: ela dormindo, tranquila, sem saber que eu tava do lado de fora lutando contra mim mesmo. Preparei café só pra ocupar as mãos. O cheiro forte subiu, tomou a cozinha. Rotina aju

