Capítulo 92 — Pezão O silêncio na sede da facção era um luxo caro, mantido por paredes blindadas e um isolamento que me permitia ouvir apenas o necessário. Mas hoje, o silêncio era uma ilusão. Eu podia sentir o asfalto do Rio de Janeiro vibrar sob os meus pés, mesmo aqui, do décimo quinto andar do meu bunker administrativo. O Vidigal estava sob ataque, e as ondas de choque daquela guerra estavam atingindo o coração da nossa facção. Eu estava recostado na minha poltrona, os olhos fixos nos seis monitores que cobriam a parede à minha frente. Em um deles, o plantão da TV exibia o caos em tempo real. A manchete era uma sentença de morte: "Morte, o terrorista mandante". Dei uma tragada lenta no meu charuto, deixando a fumaça dançar sob o foco da luz. — Os números não mentem, Pezão. A insta

