Capítulo 55 — LIA O eco do meu nome sendo gritado por milhares de vozes ainda vibrava no meu peito. A sensação de poder era inebriante, melhor do que qualquer champanhe que circulava pelo camarote. Eu sentia os olhares — alguns de puro temor, outros de uma admiração forçada — dos chefes de outras favelas que agora faziam fila para nos cumprimentar. — Respeito máximo, Patroa — dizia um, apertando a minha mão com uma cautela que me fazia sorrir por dentro. — O Vidigal tá bem servido, Morte. Ganhou uma rainha e o Rio ganhou um aviso — comentava outro, tentando parecer amigável enquanto o Morte mantinha aquela expressão de quem estava pronto para sacar a arma a qualquer segundo. Eu recebia cada cumprimento com um aceno de cabeça digno, mantendo a postura que o Morte me ensinou. Mas, depois

