Capítulo 67 — MORTE O ar do Vidigal parecia mais denso hoje, carregado com aquela umidade típica que sobe do mar e trava no paredão de pedra antes de se espalhar pelas vielas. Voltei para o morro com o corpo pedindo descanso, os ombros pesados de uma tensão que eu não conseguia colocar em palavras, mas a mente continuava girando em rotação máxima. Ser dono de um império não é apenas sentar no trono e dar ordens; é ter a consciência de que, a cada segundo, alguém está olhando para a sua nuca, esperando o momento certo de puxar o seu tapete. É garantir que ninguém cerre as pernas da sua cadeira enquanto você fecha os olhos por meros minutos. No crime, o sono é um luxo que custa a vida. Parei no primeiro posto de controle e observei o movimento. Meus moleques estavam atentos, fuzis cruzados

