Capítulo 28 — Barão O poder não precisa levantar a voz. Ele apenas espera que o mundo se incline. Do alto da minha varanda, observo o Camará se preparar para o baile. Luzes penduradas em fios improvisados, caixas de som sendo testadas, homens correndo de um lado pro outro como formigas bem treinadas. Tudo funciona porque eu funciono. Tudo existe porque eu deixo. Sessenta anos nas costas. Trinta deles mandando. Já vi rei cair, já vi polícia ajoelhar, já vi mulher jurar amor eterno com a mesma boca que depois implorou pra ir embora. Nada disso me comove. O mundo é simples quando se entende a regra básica: quem paga, escolhe. O baile de hoje não é um baile qualquer. É uma apresentação. Um acerto simbólico. Um fechamento de ciclo que começou há dezoito anos, quando um homem de farda baixo

