Capítulo 95 — Morte O Vidigal não era mais um morro; era uma cratera aberta no meio do Rio de Janeiro. O som do metal batendo no concreto, o estouro seco dos fuzis 7.62 e o chiado constante do rádio criavam a trilha sonora do inferno. O Exército não estava mais apenas na base; eles tinham furado o bloqueio da Grota e avançavam como uma parede de ferro, subindo as vielas com blindagem e apoio aéreo. Eu estava agachado atrás de uma mureta de contenção, sentindo o calor do cano do meu fuzil queimar minha mão através da luva. O suor escorria misturado com fuligem, ardendo nos meus olhos. — Segura o alto! — gritei para os moleques que estavam na contenção da laje vizinha. — Não deixa eles ganharem o ângulo da Igreja! Se eles tomarem o topo, a gente vira alvo de treino! O rádio no meu ombro

