Capítulo 62 — LIA O vento cortava meu rosto enquanto eu descia a ladeira do Vidigal montada na Hornet preta do Morte. A vibração do motor entre minhas pernas parecia o pulsar de um coração mecânico, e pela primeira vez na vida, eu não sentia medo. Eu sentia liberdade. O peso da coroa que recebi ontem à noite não me esmagava; ele me erguia. Olhei pelo retrovisor e vi os dois carros da escolta comandada pelo Rato. Eles mantinham a distância, respeitando o meu espaço, mas prontos para qualquer sinal. Eu sabia que o Morte tinha deixado ordens rígidas, mas hoje eu não queria ser apenas protegida. Eu queria ser a Patroa. Quando entramos na via que dava acesso à subida da Babilônia, o cenário mudou. O sol de meio-dia batia no asfalto, criando uma miragem de calor. O rádio no meu peito deu um e

