Capítulo 52 — MORTE O sol nasceu no Vidigal tingindo as pedras de dourado, mas para mim, a noite nem tinha acabado. Acordei com o corpo da Lia colado no meu, o cheiro de lavanda e perigo que só ela tinha. Mas o dever chamava. Hoje não era um dia qualquer; hoje era o dia em que o Rio de Janeiro ia entender quem manda na p***a toda. — Levanta, pequena. O dinheiro não se conta sozinho e os crias estão famintos — sussurrei, dando um beijo no ombro dela. Saímos de casa com a escolta pesada. O morro já estava em polvorosa. Caminhões subindo, o palco tomando forma no Largo do Santinho, e o som dos testes de grave ecoando pelas vielas. Entramos na boca principal, o "escritório". A mesa já estava forrada: maços e mais maços de notas de cem e cinquenta, o pagamento da lealdade de quem dá a vida

