Capítulo 11 — Lia Ele se afastou primeiro como se tivesse queimando a pele Eu vi no segundo em que o corpo dele endureceu — não de desejo, mas de medo. A cozinha ainda estava quente. Não de fogo. De coisa não dita. De mão que quase ficou. De boca que encostou onde não devia. Eu fiquei encostada na bancada, esperando. Não porque achei que ele fosse voltar atrás, mas porque parte de mim precisava confirmar que ele ia fugir mesmo. — Isso aqui— Ele disse apontando de mim para ele não vai acontecer mais Não foi pedido. Foi ordem foi qualquer coisa. Eu não respondi de imediato. Às vezes o silêncio é a única forma de não implorar. Olhei pra ele como quem encara uma porta fechando devagar, esperando que emperre no último segundo. Não emperrou. —Então por que você deixou acontecer? — pergu

