Capítulo 12 — Morte Já tinha passado alguns dias desde o churrasco. Dias suficientes pra poeira baixar e, ainda assim, não sair do lugar. A sala da boca estava do jeito de sempre: abafada, com cheiro de café velho, papel, pólvora e pensamento r**m. Eu sentado no sofá, cotovelo apoiado no joelho, encarando um ponto invisível na parede como se ali tivesse alguma resposta. Não tinha. Nunca tem. Eu confrontei ela. Saí sem resposta. Desde então, quase não paro em casa. Não é falta de tempo. É medo mesmo. Medo de ficar perto demais da Lia e não aguentar segurar mais nada. Tem coisa que, quando você segura tempo demais, não vira controle — vira explosão. Tenho dormido m*l. Bebido demais. Tentado ocupar o vazio com corpos que não dizem nada. Funciona por algumas horas. Depois passa. Sempre

