Capítulo 40 — Lauro O som do meu próprio grito ainda ecoava pelas paredes descascadas daquele esconderijo de merda na Baixada. Chutei a mesa de metal, fazendo a garrafa de uísque barato estilhaçar contra o chão. O líquido se espalhou como o sangue que eu não tive a coragem de derramar hoje. — Covardes! Bando de inúteis! — berrei para o nada, sentindo o suor frio escorrer pelo meu pescoço. A invasão tinha sido um desastre completo. Eu mandei o que tinha de melhor, usei meus contatos, queimei favores que levei anos para construir, tudo para tirar o Morte do caminho e recuperar meu prestígio com o Barão. E o que eu consegui? Meus homens voltaram em sacos pretos ou fugiram como ratos quando as explosões começaram. O Morte não é um homem; é uma praga. Ele transformou o morro em um moedor de

