Capítulo 20 — Morte O silêncio do quarto dela tinha um som específico: o de uma bomba que já explodiu, mas cujos estilhaços ainda não terminaram de cair. Subi as escadas ignorando o peso do fuzil no ombro, mas sentindo cada grama do pressentimento que me esmagava o peito. O morro estava em estado de alerta. O ar lá fora estava denso, carregado com o cheiro de chuva iminente e pólvora queimada de algum confronto distante na madrugada. Lia sabia disso. Ela conhecia os sinais — o recolher matinal, o rádio mais alto que o normal, os moleques da contenção com o dedo mais leve no gatilho. Ela sabia que colocar os pés para fora daquela casa hoje era pedir para encontrar o fim. Parei diante da porta. Minha mão hesitou por um milésimo de segundo antes de bater. — Lia. Chamei baixo. Minha voz n

