Capítulo 94

1996 Words

Capítulo 94 — Lia O cheiro de pólvora ainda estava impregnado no meu cabelo, mas o ar-condicionado central da sede da facção tentava, de forma estéril, purificar o que eu trazia do morro. Descer o Vidigal sob escolta foi como atravessar o corredor da morte; cada sombra na Niemeyer parecia um batedor do Lauro, cada farol alto era uma ameaça de emboscada. Mas eu cheguei. A sede era um contraste obsceno com a realidade das vielas. Mármore, vidro fumê e um silêncio que custava caro. Quando as portas do elevador privativo se abriram no último andar, eu não era apenas a mulher do Morte buscando abrigo; eu era a Patroa vindo cobrar a conta do sistema. Pezão estava de pé junto à janela, observando o Rio como se fosse o quintal da sua casa. Ao lado dele, sentado com a frieza de um contador de al

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