Prólogo e Capítulo 1

2594 Words
Há algo quente e sedutor no ar. Não sei se estou alucinando, ou se são apenas os feromonios bagunçando a minha cabeça, mas eu sinto que estou a ponto de sofrer um colapso. Meu corpo inteiro dói, minha cabeça gira como um peão, é uma sensação de angústia e dor. E eu só quero que isso passe. —Hey, tudo bem aí? Eu não sei de quem esse rosto que está me observando agora pertence. Não consigo vê-lo direito, mas a sua voz faz o meu corpo vibrar, assim como as cordas de um violão soando uma melodia quente. —Está... eu... caramba... Eu não sei bem o que quero dizer, mas sei perfeitamente o que o meu corpo quer. Algo chamado pensamento racional até passou pela minha mente, exatamente, só passou, por que todo o desejo começou a dá curto-circuito nos meus neurônios. Essa era a primeira vez que me sentia assim. CAPÍTULO UM: Ben Deveria ser mais um exame de rotina se não fosse pela marca tatuada na minha nuca. Eu até estava usando uma camisa de gola alta, mesmo nesse calor dos infernos. Não era atoa que a recepcionista me olhava tão curiosa. Eu sabia do que se tratava, sabia sua função, mas não conhecia seus efeitos colaterais e nem quem havia posto ela ali. Eu que me achava tão forte e mesmo assim havia caído numa cilada dessa por ser descuidado. Quando eu acordei eu já estava com a marca dos dentes no pescoço, eu não estava machucado e nem haviam me violado lá em baixo, o que me deixou mais confuso ainda. Ser marcado por um alfa era algo novo para mim. Não, melhor dizendo, era uma completa loucura. Principalmente por causa de um fato ridiculamente importante. E é por isso que o Dr. Eric estava fazendo essa cara de espanto. —Você não o conhece? Eu neguei com a cabeça, me encolhendo na cadeira de madeira do consultório. Senti como se estivesse sendo repreendido como uma criança, mas o doutor tinha razão, eu tinha sido irresponsável. —Lembra de alguma coisa, Ben? Neguei mais uma vez com a cabeça, arrancando suspiros de nós dois. —Como está se sentindo? -Bom, as dores durante o meu cio diminuiriam muito. Embora a necessidade de algo seja maior. —É difícil.__ continuei.— Por quê não posso me relacionar com qualquer um? Alguém que eu posso me lembrar do rosto! Pelo menos isso! Eu tinha dado uma pesquisada no caminho de casa para o consultório. E, de certa forma, a situação não era r**m se eu pensasse pelo o lado positivo. O inibidores não funcionavam em mim, e por um milagre eu havia encontrado um desconhecido muito compatível comigo. É claro que eu não podia deixar de lado o fato que eu tinha sido marcado contra a minha vontade, mas o que eu faria? Eu nem mesmo sabia por onde começar a procurar o sujeito. —Isso é normal, já que você se vinculou carnalmente ao um alfa, desconhecido.__ deu ênfase na última parte. —Sinto muito por isso.__ eu disse. —Não peça desculpas a mim, não estou lhe repreendendo.__ suspirou de novo.—Embora devesse, já que sou o médico responsável por você. —Desculpa. —Mas em compensação, isso vai ser objeto de pesquisa para nós.__ ele balançou a cabeça e anotei alguma coisa em um caderninho cinza. Droga, eu até tinha esquecido disso. Há um tempo aceitei ser cobaia de testes para um grupo de cientistas do governo. Bem, era uma indústria privada mas tinha parceria com o governo. Eles disseram para mim que eu era um caso muito raro, se eu não os ajudasse nas pesquisas, então nada e nem ninguém poderia ser capaz de me ajudar se alguma coisa acontecesse comigo. Até cheguei a recusar a oferta algumas vezes, eu estava assustado, pra c*****o! Mas meus pais foram as pessoas que me ajudaram e me apoiaram bravamente, graças a ele eu estava podendo ter uma vida tranquila. Desde que os humanos evoluíram, desenvolvendo instintos mais fortes, a sociedade foi dividida em alfas, betas e ômegas. Pelo que já deu para perceber eu não faço parte do topo da cadeia, eu sou de uma classe inferior. Bem inferior a inferior. Ômegas são discriminados e usados apenas como propriedade definitiva de um alfa. Eles são sinônimo de beleza e sedução, considerados como criaturas fofas e frágeis, apenas servindo como esposa e esposo modelo. Era assim no começo, bem no tempo da vovó. Mas nós últimos cem anos melhorou muito. Além disso, as categorias são divididos em dominantes e recessivos. Alfas dominantes são bem raros. E nunca se ouve o caso de um recessivo. Betas recessivos correspondem a mais de 60% da população, e os dominantes, são classificados dessa maneira apenas por poderem sentir os feromônios, mas não reagirem a eles. Ômegas dominantes, assim como os alfas dessa classe são extremamente raros. E os recessivos.... Bom, acho que só existe eu. Quando foi mesmo? Me pergunto quando tudo isso aconteceu... •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 17/02/ 20×× —Benjamin! Oie! Está me ouvindo? —Perdão?__ olhei para cima. Lia sorriu preguiçosamente e me deu uns tapinhas nas costas. —É a sua vez. Depois da Clara. —Você já foi? —Acabei de chegar! No que está pensando? —Qual foi o resultado? —Sou beta, como o meu pai disse que eu seria. Não é surpresa nenhuma.__ ela deu de ombros. Eu estava tão nervoso, eu não queria saber meu gênero, eu estava... apavorado! —Não fica assim.__ ela deu mais uns tapinhas nas minhas costas.— Pare de roer as unhas, Ben! Vai dá no sangue. —Desculpa...__ me encolhi. —Não sei por quê você está tão nervoso. Seu pai é um alfa não é mesmo? Não vai mudar muita coisa. —Mas minha mãe é uma ômega. —Mesmo sua mãe sendo ômega, é mais fácil você ser um alfa como o seu pai. Você nem tem cara de ômega, diferente do Liam.__ apontou para o nosso colega de classe.__ ele sim um ômega que se parece com um. —É...__ olhei para o Liam... ela tem razão. —Vai da tudo certo. Nem doeu. Viu?__ ela me mostrou a picada no dedo. —Não tenho medo disso. Tenho medo de... alguma coisa dá errado. —Eu sei, eu só não queira que você ficasse mais nervoso do que já está. —Valeu. —Oh! Clara! Como foi?__ gritou uma menina dá nossa sala. A tal Clara estava sorriso. ,—Eu sou beta.__ disse ela. —Viu só?__ Lia suspirou.—Todo mundo aqui está tranquilo. Não tem nada a temer. —É... Eu não tenho nada a temer. —Benjamin Lore... —S-sim? Sou eu!__ falei apressado. Eu levantei da cadeira e fui até a porta da sala. A mulher de jaleco branco me levou até a sala da diretoria. —Quantos anos você tem Benjamin? —Treze.__ respondi. —De qual gênero são seus pais? —Me pai é alfa, minha mãe é ômega. —Tem algum dominante na família? —Sim. Meu avô. Ele é alfa dominante. —Certo...__ ela continuou rabiscando os papéis.—Já sentiu a presença das feromoninas? —Fero...moninas? —É o odor característico do gênero dos seus pais. É um pouco parecido com perfume, mas um pouco mais forte e agradável. Oh! —Acho que sim. -Doce? —Não, mas... er... tinha um cheiro forte de folha, eu acho... Acho que foi com o papai. —E sua mãe? —O quê tem a minha mãe? —Sentiu algum odor característico? —Não... A moça ergueu as sobrancelhas e ficou me encarando. —Tem certeza? —S-sim. Isso é r**m? —Não.__ então sorriu.—Não tem nada de r**m. Por favor, preciso pegar uma amostra do seu seu sangue. —Tudo bem.... —Então? Como foi?__ Lia me perguntou assim que cheguei na porta.— Você demorou muito. —É... foi tudo bem. —Mesmo? —Sim. —Ufa!__ ela soltou uma lufada de ar.— Eu disse que daria tudo certo. Não sabia que o procedimento seria mais demorado com alfas. —Hã... Er... Eu sou um ômega. •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• —Ben? —huh? —Você está bem? Está sentindo alguma coisa? —Estou. Eu só estava pensado em algo. —Tem certeza? —Bem... eu estou marcado. Isso não vai alterar nada?__ As pessoas não se sentiam melhor estando marcadas. Por que que comigo era diferente? Eu sei que eu deveria está mais preocupado pelo fato de ter sido mordido e me vinculado a uma pessoa que não conheço, no primeiro dia até que surtei um pouco, mas esquentar de mais a cabeça com isso não ia fazer a mordida desaparecer como num passe de mágica. Isso deveria ter acontecido muito tempo atrás, não o lance do vínculo, mas o meu cio. Em parte era legal ser um cara único, mas isso não significava que era somente bom, fazia mais de seis dias que eu não parava de emitir feromônios, tomei algumas drogas experimentais mas ela só tinham amenizado um pouco. Como eu morava sozinho e meu estoque de mantimentos havia acabado fui comprar comida, depois disso eu só me lembrava de está em casa, no chão, sem as minhas compras e com as minhas calças abertas. —Não exatamente, só vamos ter que mudar um pouco as coisas. E eu gostaria de esclarecer algumas, também. —Esclarecer? Tombei a cabeça de lado, tentando imaginar o que ele iria propor dessa vez. Novo inibidor? Ah! Eu não precisaria, tinha um estoque cheinho disso no meu pescoço, mascarado meu cheiro. —Já faz cinco anos desde que começamos os testes, e desde então você nunca havia manifestado nenhum feromônio durante as seções. Você é um ômega, o DNA não n**a, mas nada parecia funcionar. O governo estava pensado em desistir com o projeto de estuda-lo. —Quer dizer então... O Dr. Eric me olhou sorrindo. Parecendo se divertir com o que eu acabara de dizer. Algo me dizia que eu estava comemorando pela minha liberdade cedo de mais. E de todo modo, eu não estava errado. —Não Ben. Os testes vão continuar. Principalmente agora, por que irão querer saber o por que desse alfa ser o único capaz de fazer você se agitar assim. Ele apontou para o meu eu todo. —Não é como se fossem me colocar dentro de uma sala fechada e enfiar urânio no meu sangue. —Não sei o que vai acontecer a partir de agora. Mas lhe desejo sorte.__ ele ignorou a minha piada, o que me deixou com calafrios. Sorte? Ele estava me desejando sorte? Por que isso soou mais assustador do que o normal? ele estava tentando selar o meu destino com esse negócio de sorte? —Não se preocupe.__ sorrir. —Não me preocupar? você é tão pé frio quando se trata de sorte. Não quero o seu desejo de sorte para mim. Tá é doido se eu não pensar que vão me dissecar e colocar em um vidro cheio de água. Quem sabe até arrancaria meus ossos dessa vez. —A propósito, deixe me ver a mordida. Eu levantei da cadeira e tirei a camisa que estava usando para que ele podesse me examinar. Meus m*****s até se arrepiaram, eu não havia percebido que a sala estava tão fria assim.. —Isso deve ter doído, Ben.__ comentou. Sua falsa pena escapando pelas brechas. —As vezes dói, como se tivesse veneno queimando a pele. Mas as vezes me proporciona um alívio imediato quando se é preciso. É tão estranho, sim? —Não muito comum, pessoas que se vinculam dessa maneira, as vezes pode acontecer por um desequilíbrio durante o cio de um ômega, em que o alfa perde a razão e libera seus instintos primitivos. —Entendi. Ou seja, o sujeito tinha ficado doidão no meu perfume. —Como foi o seu primeiro cio, Ben? Verdade, eu não tinha vindo ainda ver o doutor. Ele só tinha descoberto por quê a Nona comentou, até solicitou uma consulta, mas nunca de fato apareci. —Pensei que eu ia morrer, doutor. As três primeiras horas, pensei que seria o fim para mim. Vomitei até não restar mais nada no estômago. Meu corpo se contraía involuntariamente, pensei que fosse enlouquecer, me senti sufocado pelos meus próprios feromônios, tinha sido um pesadelo total. —Você precisa fazer uns exames. Ele disse com uma calmaria impressionante, teclando no computador e olhando para algo no seu celular. —Eh? —Apenas de rotina. Ele me liberou e eu vesti a camiseta de volta. —Tudo bem. —Um teste de gravidez também. —É o quê?__ perguntei, perplexo. —Como você disse que não se lembra do que aconteceu, precisamos garantir de que você não esteja grávido. —Há mesmo essa possibilidade? O Doutor me olhou de relance, me reprendendo. Eu engoli em seco, me dando conta agora do risco que eu estava passando. Nunca passou pela minha cabeça esse fato. O que diabos eu tinha na cabeça quando nem se quer cogitei isso? —Fique calmo Benjamin. Não imagine o pior. Tarde de mais, doutor. Eu estava desesperando, não tinha condições de criar uma criança no meu estado atual. Sem casa, sem emprego... sem companheiro. O que ia ser de mim? —Sente-se, eu vou tirar o seu sangue. Depois de alguns minutos, ele chegou com o resultado do laboratório. Foi todo um momento de tensão antes de ele abrir a folha e dizer para mim. —O exame deu negativo. Eu soltei o ar que nem sabia que estava prendendo, suspirando de alívio. —Isso é ótimo.__ Falei, mais para mim mesmo, aliviando o peso que eu senti antecipadamente. Quase me borrei todo no processo. —Sim, Ben. É realmente uma boa notícia. E mais um mistério. —Como assim? —O alfa te marcou, mas aparentemente não fez sexo com você. Não acha que isso é um mistério? Eu balancei a cabeça concordando. —Por quê? —Por... Que?__ ele estava perguntando para mim o por quê? Isso era um alívio, eu não queria nem saber por quê o alfa não tinha me violado, só o fato de eu não está sofrendo com tremores e calores do cio era uma benção. A situação poderia ser vista por todos os lados, mas o que importava era que eu realmente era sortudo por ter encontrado esse estranho. —Isso é muito inusitado.__ ele fez uma careta, e eu entendi que o seu "Por quê?" era uma pergunta retórica. —Não é todo dia que o senhor consulta uma pessoa como eu, né doutor? Ele me olhou, por cima dos óculos, e voltou a teclar no computador. —Está liberado por hoje, volte assim que sentir que for preciso. Os outros exames estão marcados para amanhã a tarde. A Nona vai aparecer por lá. Eu agradeci ao Dr. Eric e sai do consultório.
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