Capítulo 1.1

2575 Words
Minha intenção era passar na recepção, para pegar um cafezinho antes de sair, mas fiquei entalado no elevador. Fiquei imprensado na parede esquerda, bem debaixo de uma axila suada de um cara que se apoiou quando foi empurrado. —Desculpa.__ ele tentou ajeitar a maleta, mas o pessoal tinha ficado de um jeito que era bem difícil de se mexer.— Estou machucando você? —Não.__ neguei, junto com um sacolejo de cabeça. —Estava em que setor? Eu hesitei um pouquinho antes de responder. —No de pesquisa avançada. Era mentira, meia mentira, já que eu ia mais no setor de pesquisa do quê no ambulatório. —Pesquisa? Trabalha com a Snowman? Snowman? O que diabos esse cara estava falando? —Não sei o que quer dizer. —A filha do Chefe, Amarílis Whinter. —Ah.__ a Nona.—Mais ou menos. —É verdade que ela... As portas abriram, não escutei mais nada do que o cara dizia, marchei em direção ao cafezinho que me faria ter coragem de enfrentar uma viajem de busão até a minha casa. —Como foi lá? A recepcionista, que já me conhecia a um bom tempo, me entregou alguns sachês de cor amarela, com açúcar dentro, eu desejei no fundo do copo de plástico, depois deixei ele embaixo das torneiras da cafeteira para ser preenchido. Enquanto isso, fui na máquina de comida do outro lado do salão. Tirei o cartão do bolso, fiz a compra e esperei a máquina jogar meu cheetos. O pacote ficou preso entre o vidro e a prateleira, a pessoa atrás de mim até suspirou por causa da demora. Dei um soco no vidro e a pipoca caiu no fundo. —Isso no seu pescoço, você é vinculado? Eu olhei para a pessoa, a menina que estava parada atrás de mim me esperando eu sair. Ela cruzou os braços e ergueu uma sobrancelha, como se estivesse esperando uma desculpa minha. Só levantei, ignorando ela também, um pouco irritado por todo mundo querer se intrometer na minha vida. —O quê foi? Por quê essa cara? —Eu sou o único ômega no mundo ou quê?__ falei, bufando. —Já se olhou no espelho? —O quê isso tem haver?__ peguei o copo sobre a bancada, e dei um gole do café. Está delicioso, por sinal. Fazia cinco anos, não cinco dias ou cinco horas. Eu deixei essas pessoas me furaram com agulhas grandes e pequenas, me drogarem até eu perder a consciência, experimentei todo tipo de teste, desde os mais idiotas e humilhantes até aqueles que eu preferiria está morto. Por quê? Nem mesmo eu não sabia o porquê. Talvez eu só não me importasse muito, eu estava naquela fase da vida que qualquer coisa já estava valendo, eu só queria me sentir um pouco mais eu. Eu era um Ômega, mas não era bonito e atraente como um, eu era inteligente mas não o suficiente para ser o cara a ganhar o próximo nobel. Eu só queria arranjar um companheiro... sim, um companheiro por quê eu era gay. Se eu arranjasse tal companheiro faria o possível para esse relacionamento dá certo e talvez construir uma família. Nós humanos não eramos muito diferentes dos outro animais, a gente precisava de sexo e na mais comum das hipóteses um filho para dá continuidade à espécie. Eu nem sabia se era capaz de ter um filho, pelo menos não sabia se podia gerar um dentro de mim, mas queria tentar, mesmo sendo um Ômega problemático e sem status. Isso só me deixava mais intrigado ao ponto de tentar saber quem tinha sido a pessoa a me morder. Ela não ganharia nada se vinculando a mim, eu vivia em um quarto de pensão, comendo pão com ovo assistindo The Big Bang Theory. Tinha feito faculdade mas não trabalhava, um lesado desocupado. Vai que a pobre pessoa tenha tido pena de mim ou sei lá... se arrependeu no meio. Eu estava no cio, a irresponsabilidade era minha por sair quando os inibidores não funcionavam direito, a pessoa viu que eu era um pobre coitado e se arrependeu quando viu a merda na qual estava quase trepan... pisando. Se as coisas iriam ser assim, eu não me importava. Eu tinha um vínculo que me favorecia, e um copo de café preto na mão, nada podia dar errado. —Eu já vou indo. —Não vai nem dá uma passadinha no laboratório? —Nah. Eu vejo a Nona amanhã. Tchau. —Toma cuidado. —Pode deixar. ____________________________________ Assim que cheguei em casa, coloquei o resto da comida da noite anterior para esquentar. Eu estava cansado de comer qualquer coisa pronta que eu pedia, as vezes a gente precisava de uma comidinha caseira para se sentir melhor, mas infelizmente não era um bom cozinheiro. Mas tudo bem. Já estava acostumado com a vida que levava. Depois de ter colocado a comida em um prato, eu fui atender o telefone que estava tocando. —Oi mãe. —Oi querido! Como está se sentindo? —Estou melhor, maldita gripe. Como anda a viagem? —Seu pai virou um camarão depois de ter dormido na praia. Agora ele está chateado por não poder sair. __ ela riu. —Só o papai mesmo. -Tem uma garotinha aqui que também ficou toda torrada, ela tá passando protetor nas costas do seu pai. —Papai amigo de uma criança? —Eu sei. Ele era todo desajeitado com você, mas ele adora crianças. —Ele nunca é de conversar muito. —Isso por quê você fazia uma pergunta muito difíceis. Meu pai sempre me ignorava ou ficava vermelho quando eu perguntava sobre o que era alfas e ômegas, nem quando eu já havia descoberto meu gênero ele me explicou alguma coisa, ou me deu alguma dica. Bom, teve aquela vez... •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• —Pai? —Eu acho bom vocês soltarem o meu filho! —Pai, está tudo bem.__ eu levantei do chão, coloquei as minha coisas dentro da mochila sem me importar em arruma-las. Eu estava com tanta vergonha por meu pai ter me visto apanhado. Ele que sempre dizia que eu era seu super herói. Hunf! Heróis não apanhavam desse jeito. —Esse i****a é seu pai? Idiota?! Ele chamou meu pai de i****a? Eu aguentava um pouco de Bullying ou as provocações, mas ninguém falava mau do meu pai. —Quando o seu problema Benjamin?__ papai cruzou os braços.— pensei que pudesse lidar com essas crianças. Por quê está deixando eles te baterem? Isso... Isso era algum tipo de plano? —Eu... —Criança?__ respondeu um dos valentões, indo para cima do meu pai. —Você fica quieto.__ papai segurou a cabeça do garoto com uma mão.__ só por quê acabaram de saber seu gênero acham que são superiores ao meu filho? Todo ômega tem seu protetor, é melhor não mexer com o meu protegido, entenderam? Ou vocês querem que arranque as bolas de vocês? •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• Papai estava tão legal naquele dia. Ele me levou para tomar sorvete, me carregou nas costas, e pediu para e não baixar a cabeça para ninguém. Mamãe quando soube do ocorrido, repreendeu o meu pai, não por me proteger, mas por ter machucado os garotos, ela estava furiosa por ter que lidar com as outras mães —O Dr. Eric me contatou e falou que você entrou no cio. Você está bem? Mamãe parecia tão calma, pensei que fosse fazer um alarde por causa disso, mas ela não ia deixar as férias com o papai só para me ver. Eles esperaram tanto tempo por isso, até me senti um pouco m*l por ter contado a ela antes. —Melhor.__ soltei uma gargalhada.__ Só não sabia que isso era tão doloroso. Doloroso era pouco. Ficar e******o ao ponto de nem poder se tocar era tortura. Eu sempre ficava duro feito pedra, e tão sensível que o menor toque me fazia chorar. Eu já tinha visto alguns ômegas na clínica, via a cena deplorável, mas nunca tinha sentindo na pele. Por isso, só sabe quem passa. —Oh querido. Sinto muito por não está aí.__ ela falou, sua voz ficou um pouco distante do telefone, talvez para dá atenção a outra coisa.— O que acha de voltar para o farol? Eu fechei o microondas, encarando o telefone que estava no viva voz. —Nesse fim de mundo? Nem pensar! —Você não está metido em coisa errada de novo não, né? —O quê?__ soltei um gritinho meio desesperado. Se ela soubesse o tinha acontecido... Eu amava minha cidade, mas eu não queria voltar lá. A praia, os barcos, as lojas de pesca e o colégio... tudo tinha memórias de coisas que eu não queria lembrar. Eu ainda não tinha superado, e nem sabia quando iria. E mamãe odiava a ideia de eu morar na metrópole, mas eu gostava da poluição e o barulho dos carros, já tinha me acostumado. Mas acima de tudo, minha liberdade e privacidade que não tinha preço. Tinha sido tão difícil conseguir a confiança dos meus pais, só concordaram por quê teria gente de olho em mim, mas eu estava limpo, bem e... Tinha começando uma vida que não queria destruir. Não era nada comparado a antes, mas ainda sim era um bom começo. Bom o suficiente para eu não precisar voltar. —Eu sabia que você diria isso, mas pense bem filho, não posso cuidar de você assim. —Eu estou bem, estou na linha. —Mesmo? -Não sou mais criança, mãe. Eu tô bem. Não se preocupe. O doutor e a Nona estão cuidando de mim. —Você confia de mais nessa gente do governo, Benjamin. —Esse é um programa financiado pelo o governo também, mas o que recebo vem diretamente do pai dela, mãe. A senhora sabe disso. —Que diferença faz? todo mundo é corrupto mesmo. —Mas foi a senhora que concordou primeiro. —Hum... Ela sempre ficava monossilábica quando não conseguia refutar. E eu adorava isso, eram raras as ocasiões em que eu ou o papai vencia a mamãe em um discurso. Ela era o tipo de mulher que sempre estava no topo, sempre certa e... dona de toda a razão. É por isso que ela e a vovó, mãe do pai, não se davam bem, tipo água e óleo. Uma rosnava e a outra mostrava os dentes. —Não seja ciumenta mamãe. —Hummm... —Eles não são más pessoas, e eu ganho dinheiro com isso, então não me importo. Eu escuto o suspiro dela do outro lado da linha. —Certo, mas qualquer coisa eu vou te buscar querido. —Diz ao papai que eu mando um beijo. —Certo. Eu preciso desligar querido. Te amo. —Também te amo. A chamada se encerrou, bem a tempo da minha janta ainda está morna. Me joguei no sofá, daqueles de modelo antigo feito de madeira boa, a mulher que morava de frente para mim tinha deixado ele para ser levado pelo o carro do lixo, fui na casa dela, perguntei por quanto ela me daria e fiz um bom negócio com isso. Esse sofá e eu tínhamos história, além de ser o meu primeiro móvel e cama, ainda carregava consigo um designe único que me deixava todo orgulhoso em exibi-lo. Posicionei ele por trás do balcão da cozinha, por quê seu encosto era perfeito como banquinho, a mesa de centro, também reformada, me convidou para colocar os pés. Peguei o controle remoto que bolava por ali e coloquei na Discovery. Terminado o jantar, lavei os pés para tirar o pó preto deles e fui para a cama. Eu estava com dor de cabeça, estranho, por quê eu não havia feito nada diferente, mas minha cabeça latejava como se eu tivesse batido ela em alguma coisa. Me encolhi em posição fetal, com um braço por baixo dela, tentando manter os olhos fechados enquanto esperava o sono bater. Demorou um pouco, mas eu acabei dormindo. ____________________________________ Eu já havia tomado os supressores, então por que continuava me sentindo assim? Me arrastei para o quarto, sentindo meu corpo duas toneladas mais pesado, tive até dificuldade em desligar o interruptor. Meus olhos marejados ardiam, eu nem senti as lágrimas escorrendo pelo o rosto, só vi elas caindo no chão. Eu estava chorando, entregue ao desespero da dor. Era tão bom quando eu não havia despertado ainda. Mas que droga! Eu tirei a minha calça do pijama e a cueca sentido um liquido escorrer da minha b***a. Eu não conseguia mais me masturbar, eu estava sensível de mais e dolorido. O que eu faria dessa vez? —Quente...__ abanei meu rosto que estava pegando fogo. A marca no meu pescoço começou a pulsar como se tivesse vida própria, se aquecendo cada vez mais e me fazendo tremer. O calor começou a dá voltas no meu pescoço, como se fosse fios. —Tão quente!__ exclamei deixando mais lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Minha mente estava nublado, meu corpo tremendo, eu não tinha nem forças para poder levantar novamente da cama, e já passava das onze. Será que esse maldito cio que não acabava, ia terminar me matando? A onda de dor foi sumindo, como num passe de mágica, e eu pisquei, fitando o teto do quarto me sentindo melhor, como se nada tivesse acontecido. Era o vínculo. É claro que era... Aquilo era melhor que qualquer remédio. —p**a merda...__ eu dei risada para o nada. Era loucura de MAIS! Eu estava vinculado à um estranho e isso não poderia ser melhor! —Caramba!__ joguei as pernas para fora da cama, e ainda meio cambaleante fui para o banheiro me lavar. Dei uma olhando no espelho, vendo a marca ligeiramente mais apagada, como se seu efeito tivesse sumido um pouco. Meu coração batia tão forte que chegava a doer. Minha testa cheia de vincos e meu semblante cansado demonstrava a verdade que eu a pouco tempo estava sofrendo. Se não fosse por isso, pela a minha imagem deplorável, nem eu mesmo acreditaria. Balancei a cabeça devagar, eu não sabia se acreditava ou não, apesar de ser real. —Só vamos dormir.__ falei. Eu estava tão cansado, mas não queria dormir todo melado por aquelas coisas que tinham saído do meu corpo. Me livrei do pijama, por quê ele cheirava a excitação, e eu não queria mais uma rodada de m*********o, nem minha mão ou o meu p*u aguentavam. Ponto. Fui para a cozinha, por quê ela ficava bem perto do banheiro. Na verdade todos os cômodos ficavam muito perto um do outro, o que aumentava a praticidade. Enchi uma tigela com água e deixei no microondas até esquentar. Depois misturei com um pouco de água fria, e me lavei, me sentindo novo em folha. Bermuda limpa, cheiro de lavanda no corpo, deitei no sofá e fiquei fuçando no celular até pegar no sono de novo.
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