Capítulo 2

3448 Words
Ben Tinha um gatinho na frente da rua, não era abandonado por quê seu pelo brilhava, cheirava como rosas e seu estômago parecia cheio. Ele ficou me olhando, sem piscar ou se mexer, com medo de, talvez, eu poder ser uma possível ameaça. Na realidade quem estava com medo ali era eu. Não tentei me aproximar do bichano, apesar de ser fofo, os gatos tinham a tendência de não irem com a minha cara, ou de me atacar sem motivos. E eu não queria ir na delegacia fazer um B.O por causa de um gato que estava na rua. Eu entrei no estabelecimento, passando rente ao caixa, indo em direção a prateleira com os cosméticos. Eu precisava de shampoo, sabonete e enxaguante bucal. Como era uma lojinha pequena as opções eram poucas, mas ainda bem que tinha um shampoo para cabelos cacheados. Peguei os produtos nos braços, passando os olhos pelas etiquetas de preços até que uma coisinha me chamou atenção. Coloquei o produto junto com os outros, era hidratante facial, eu não usava essas coisas mas esse dizia que fazia dormir bem. Tudo o que precisava nesse momento era dormir. Fui para o caixa, para deixar as coisas sobre o balcão. —Só um segundo.__ pedi. Fui no freezer, peguei um pote de sorvete pequeno, e juntei com o restante das outras coisas. —São R$ 83,24. Eu levantei as sobrancelhas, relutante, mas dei o dinheiro ao moço. —Mais alguma coisa? —Não.__ Que desgraça de hidratante caro é esse? —Obrigado pela a preferência, tenha um bom dia. Ah... Eu queria devolver... —Mais alguma coisa?__ o moço estava com os olhos cravados em mim. Fiquei com vergonha. —Dia...Você também.__ acenei em despedida. O cheiro de escapamento de carro veio na mesma hora que o sol, que parecia te pegado uns estagiários para deixar o planeta mais quente, saiu detrás das nuvens de chuva. Elas não estavam ali quando eu havia saído de casa, mas do nada o tempo resolveu mudar sem se preocupar com a opinião de ninguém. Tentei me apressar e não ser pego pelo um caldo cheio de bafo e trânsito. Minha casa nem ficava longe assim, mas seria difícil andar no meio de uma chuva, o rio que tinha no meio do trajeto poderia ficar cheio demais, sem contar que eu ficaria doente. Mas não deu tempo, nunca dava tempo. Pouco a pouco a água foi despejada do céu, caindo com toda sua fúria sobre a minha cabeça. Me enfiei no primeiro pedaço de telhado que encontrei, um barzinho pizzaria, com clientes ali que nem se incomodaram com a minha chegada desastrosa. A sacola na minha mão pingava, meu cabelo também, se eu soubesse que tomaria um banho na rua teria poupado água da minha caixa. —Merda.__ tateei meus bolsos a procura do meu celular. Eu não tinha de onde tirar dinheiro para comprar outro, ainda nem havia terminado de pagar as parcelas e tinha um trincado dividindo a tela em duas. Esse teria que me aguentar mais um pouco, até eu conseguir juntar dinheiro para um novo. —Achei você.__ deslizei o celular para fora do bolso traseiro, por sorte não havia queimado. A tela se ascendeu e eu vi mensagens não lidas e as chamadas perdidas. Era a Nona. Digitei uma resposta, explicando a minha situação de forma rápida e precisa, ela e eu odiavamos o papo furado. NONA: Aí tá chovendo? Fique em um cantinho, seguro. Só vou poder passar aí no fim da tarde. EU: Tudo bem. NONA: comeu alguma coisa? EU: Não. EU: Sim, comi. Tinha frango frito. NONA: Quer que eu compre alguma coisa? EU: hum... comida chinesa. NONA: ??? EU: onigiri. NONA: Onigiri é japonês. Vou levar algo gostoso então, só tenho quê dá uma passadinha na casa do meu irmão antes. EU: Tá, até mais tarde. ______________________________________ Era cinco da tarde quando acordei depois de um cochilo demorado. A lua, nessa época do ano estava amostra mesmo ainda estando tão claro. A minha casa ficava numa rua relativamente quieta, com mais gente idosa ou que trabalhava o dia inteiro. Pela fraca iluminação, em comparação ao centro, e até mesmo o silêncio, eu conseguia ter esses momentos de paz vez ou outra, quando me pego observando o céu de noite ou de dia. Aconteceu dessa vez também. Aquele pedacinho quase que transparente no céu era bonito de se ver, até um pouco relaxante, parecia um meio arco, tão longe e ao mesmo tempo tão sem solitário... E por um pequeno momento eu havia esquecido toda dor que estava sentindo. Só por um momento. É, meu cio tinha voltado, como se já não bastasse os problemas que eu tinha, e que estavam acumulando. Foi só um curto espaço de tempo, eu tinha ido dormir, estava bem, mas acordei com dores fortes nas costas e na barriga, a marca pulsando como a picada de uma abelha, eu estava suando de dor, tanto que virei para o lado gemendo com as cólicas. O Dr. Eric tinha me dito que estava sendo pior por que eu era um adulto, completamente desenvolvido. Se eu tivesse despertado mais cedo, enquanto meu corpo ainda estava em fase de crescimento, a descida do útero teria sido menos dolorosa. Imaginar que podia engravidar mesmo sendo homem era estranho. Estava tão acostumado com a ideia de que as mulheres e os outros ômegas carregavam o papel de serem mães, que mesmo sabendo que tinha essa capacidade, nunca pensei que fosse possível, até agora. Eu não era tão feminino quanto os outros, não possuía um corpo bonito, nem um rosto bonito, nem um cabelo macio. Não era nada atraente, não o suficiente para um alfa se aproximar de mim. Então... por que ele me marcou? Eu só vi pessoas sendo mordidas em filmes, como se estivesse selando um contrato. Soava mais como prostituição, mas mesmo assim, era bonito, especial, e completamente intenso. Não é com qualquer pessoa que um alfa consegue mostrar suas presas, e injetar o seu feromônio. Esse fato só deixa as coisas mais esquisitas. Por que eu? Por quê? —Merda!__ xinguei. Eu não conseguia nem levantar para me limpar, meus lençóis estavam fedidos e molhados e não havia nada que eu pudesse fazer. Eu já tinha me encontrado em outras situações meio complicadas, mas nada que envolvesse excitação ao máximo. E olha que essa cama nunca havia recebido outra pessoa além de mim. Era tipo... cinquenta tons de algo na versão solo. Eu estava me sentindo tão sujo e nojento, precisava tomar um banho urgentemente. Mas quem disse que as minhas pernas me obedeciam? Parecia que meu cérebro tinha dado curto, e a única coisa que elas sabiam fazer era tremer e se arrepiarem. —Ben? Escutei a voz da Nona do outro lado da porta. Mandei ela entrar, e pedi para que não reparasse na bagunça. Estava sempre na bagunça, e dessa vez o lixo tinha se acumulando por todos os lugares. Eu era uma pessoa limpa, mas desorganizada, e morar sozinho significa que tudo na casa só dependeria de mim. Se eu ficasse doente então não teria ninguém para lavar a louça ou limpar o chão. Meu prato do almoço estava no chão, tinha uma pilha de roupa suja no cesto, meias debaixo da cama, e o quarto fechado deixou o ambiente super abafado. Cheiro de mofo e feromônios de um adulto e******o por absolutamente nada. —Oi Nona.__Ver a Nona me relaxou. —Você saiu de novo.__ ela semicerrou os olhos, jogando a bolsa sobre o cesto de roupas sujas e veio pisando firme até mim. Ela era minha deusa protetora, e tão bonita quanto uma. Até tive uma quedinha por ela durante um tempo. Seus olhos azuis claros tinham um sombreado num tom marinho, um cabelo n***o e suave que parecia mais um cobertor quentinho e convidativo. Ela era tão bonita e elegante que me deixava suspirando pelos os cantos, mesmo que eu tivesse me acostumado a ver ela bem vestida e cheirosa quase todos os dias. —Por que não ligou para mim? Eu poderia ter vindo aqui mais cedo!__ Me repreendeu, suas sobrancelhas finas erguidas, em arcos bastante expressivos, sobre a testa. —Não sei onde está o meu celular.__ Talvez até estivesse descarregado, eu peguei no sono em posição fetal assistindo Bob o construtor.— Não consigo levantar. Comprimi os lábios soltando o ar devagarinho, me ajeitando sobre a cama para me sentar direito, mas meu membros cederam e eu desabei na cama, batendo com a parte da trás da cabeça no travesseiro. Preocupada, a morena se agachou do lado da cama e colocou a mão sobre a minha testa. —Vamos lá, deixa eu te ajudar. —Obrigada. Ela me colou nos braços, o que foi uma surpresa para mim. Nona sorriu, achando divertido minha reação. —Você é bem leve e pequeno, Ben. E, aliás, possuo mais força física do que você. —Está se gabando?__ eu ri, me sentindo levemente ofendido. Eu costumava ser casca grossa e não cedia a qualquer que fosse a doença, e a gente sempre se provocava em relação a isso. Por que ela era tão ignorante quanto eu. —Pode se dizer que sim. Vamos tomar um banho, você está todo suado e cheio de feromônios. Eu parei estático por um momento, me lembrando que ela era uma alfa e eu um ômega. —Não te afeta?__ perguntei preocupado, cheirando meu pulso e logo mais esfreguei ele no meu shorts. —Você está marcado, então não.__ disse.— Sei que você está mau por conta da situação do seu corpo, por que trabalho com pessoas assim o dia inteiro. —Eu sei disso...__ revirei os olhos. —Não acha melhor ficar no hospital? Sei que você não gosta muito de ir lá mas... —Não, estou bem.__ interrompi suas súplicas. —Não consigo ficar sossegada. Um minuto sequer, por favor. —Eu até iria, mas não quero ficar internado. —Meu quarto tem tv. —Eu sei que tem. Mas a minha resposta ainda é não. Derrotada, ela me carregou até o banheiro, e me colocou sobre a privada. Eu tirei a minha roupa e joguei ela no chão. Não tinha vergonha da Nona, não era a primeira vez que ela me via pelado, apesar de ser uma mulher muito linda e atraente, por incrível que parecesse não sentia nenhum desejo sobre ela, não mais. Eu não sabia se era o fato de eu ser um omega vinculado tornava isso uma vantagem ou desvantagem. Eu só não ligava. —É a primeira vez que o vejo no cio.__ comentou. —Grande coisa.__ debochei, revirando os olhos. —Sim, é uma grande coisa. O cio de ômega de um recessivo é totalmente diferente, pelo o que eu vejo. Ela passou o dedo sobre o meu peito suado. —Para com isso.__ dei um tapinha na mão dela. —Nunca ninguém secretar tanto suor assim, estando apenas parado. —Sério?__ ergui uma sobrancelha, e encarei a cientista que começou a tirar um monte de coisas da bolsa. E eu aqui achando que era só um banho. —Seríssimo!__ respondeu casualmente.—Vou analizar o seu desenvolvimento. Mas, primeiro de tudo, vamos para a diferença mais aparente... Abra a boca. —Ah!__ eu fiz uma careta quando ela esfregou um cotonete gigante na minha língua, logo em seguida, Nona guardou o material dentro de um saco plástico. —Vai analizar o meu DNA de novo? —Obviamente. Alguma coisa aconteceu. —Eu quase transei com um estranho na rua, isso aconteceu.__ falei emburrado. Quando o cara perdeu a consciência eu o larguei lá e vim para casa. Disso eu me lembrava, por que ele me implorava baixinho para eu ir embora correndo. Fiquei com medo? Assustado? Eu não sabia ao certo, não era como se eu nunca tivesse dado uns amassos com um estranho em um beco. Na realidade quem parecia mais assustado era ele, mas mesmo assim eu fiz o que ele pediu por que eu também não queria fazer aquilo, no meio da rua. —Ben, como se sente? Mudei o rumo dos pensamentos e olhei para a meia calça dela. —Com dor? —Disso eu sei, mas estou me referindo a sua aparência._,_ perguntou. —O que tem a minha aparência? —Quando foi a última vez que você se olhou no espelho? Me olhar... no espelho? Ela me ajudou a levantar e eu encarei o meu reflexo ali. —p**a que pariu! O que tinha acontecido comigo? —Nona! Por que diabos estou parecendo uma garota?! Que ridículo! Pareciam que meu genes tinham editado minha cara com Photoshop. O cara no espelho não era eu, não podia ser! Eu não era bonito desse jeito! Não... não a nível celestial. Podiam jogar o quadro da Mona lisa fora e deixar minha cara em exposição, isso sim era enigmático. —Ridículo não, fantástico!__ ela apertou bem as minhas bochechas. Nem eu estava acreditando, parecia até que eu havia virado uma drag queen em um concurso de beleza. —Mas... M-Mas... Eu não sabia o que dizer, eu só continuei me olhando com a maior cara de espanto. E não era só os meus traços que estavam mais femininos, mas o cabelo que tinha crescido um pouco, e o meu corpo e pele estavam realçando minha nova aparência! Eu estava esteticamente bonito. Simplesmente lindo! Se isso era ser um ômega então eu não tinha do que reclamar, contando que eu tivesse essa carinha de anjo. —Também fiquei espantada assim que cheguei.__ ela balançou a cabeça, rindo. —Caramba...! Toquei meu rosto, meus cabelos e senti a textura de tudo. Eu me olhava e não acreditava, mas era real. —Ei, me tira uma dúvida.__ virei o rosto de lado.—Eu posso controlar isso agora. Né? Um cheiro meio agridoce saiu do meu corpo, bem forte e difícil de não perceber. Mas a Nona me olhava com cara de paisagem. —Não tá sentindo? —Quê?__ ela levantou a sobrancelha, então arregalou os olhos. A Nona não era de fazer cara de espanto, mas quando fazia parecia que seus olhinhos de cristal brilhavam. E juro, eu nunca tinha visto um azul tão lindo, nem na natureza ou em algum efeito digital. —Você não sente mesmo?__ por que isso estava muito forte, parecia um perfume ultra concentrado. —Achou que eu fosse sentir seus feromônios? Ben, você é vinculado! Dei de ombros. —Vai que o caso fosse outra exceção.__ falei. Ela soltou um suspiro. —Nunca se sabe.__ dei de ombros novamente. —Se esse fosse realmente o caso, acha que não seria mais problemático? Essa não era exatamente a situação que eu queria, mas...__ ela revirou os olhos, e eu entendi o que ela estava dizendo. A Nona vinha cuidando de mim a um tempo, a gente era bem amigo, tipo carne e unha ou mel e abelha. Ela nunca fazia nada que não tivesse o consentimento dos meus pais e o meu, é claro. Eu era bem grato por tudo que ela fazia por mim, mas as vezes ela era bem ciumenta, do tipo que joga praga ou se torna empata-f**a. Não que ela tenha sido empata-f**a alguma vez, eu não tentava entrar em um relacionamento a anos. Tipo, fazia muito tempo mesmo! Desde aquele incidente que eu sempre tentava deixar no fundo da minha mente, já que o sentimento de ódio não me deixava esquece-lo. Quando eu estava no ensino médio conheci um cara um tanto problemático, tão r**m que eu tenho vontade de voltar no tempo só para acabar com a raça dele, e de quebra meter um socão minha cara só para que eu deixasse de ser o****o. Eu não me metia em problemas, até cair na lábia daquela cobra astuta. Affs! Não era nem bom lembrar. Deixei os pensamentos de lado e me virei para ficar de frente para ela. —Esse mundo é doido. Simples. Se não fosse por isso eu teria ficado em uma situação pior. Gosto de pensar que tive sorte. Ou foi coisa do destino. Eu tinha a tendência de não acreditar muito em coisas assim, mas... a vida me obrigou a mudar de opinião. Que outro significado eu daria? Não podia ser coincidência, era absurdo de mais para ser só coincidência. —Destino não é coisa simples.__ ela piscou, colocando as mãos nos quadris como se não acreditasse nas coisas que pensava. Nona era bem de exatas, mas tinha visto tanta coisa bizarra que desistiu de ser insensata e ignorante, e optou por abraçar as bizarrices e chamar isso de destino, por que não sabia como provar o ocorrido. Agora eu estava no mesmo barco. Destino não é uma coisa dá qual podíamos dá conta. Eu preferia ser manipulado e continuar acreditando que estava fazendo escolhas por conta própria. Por quê? Era mais fácil. —Bem, não vamos continuar perdendo tempo. Você precisa de um banho. Um bom, que limpe até a alma. —Não estou... ai!__ a dor na barriga me fez curvar.—Ai! Caramba! —Calma. Calma.__ Nona me abraçou e deu tapinhas nas minhas costas.—Você tem que aguentar mais um pouco. —Ai Nona... Não aguento. Acho que vou morrer. Que se f**a. Faço drama mesmo. Eu já tava suando frio, até comecei a ver uma legião de anjos debaixo de um arco-íris tocando Tchaikovsky em suas aspas douradas. A Whitney Houston cantando, o Elvis no piano, num concerto tão bonito que me fez querer fechar os olhos de vez. Mas eu só estava delirando, não era a minha hora de fazer parte do show. Eu ainda precisava saber quem era o desgraçado que roubou meu celular no show do HRCP, tinha que receber meu carregador novo no correio, e ir para a Disney. Aí, talvez, eu pudesse bater asas com os anjos. Reclamei quando a dor me atacou forte, e Nona me colocou debaixo do chuveiro, sentado em um pequeno banco vermelho. —Quero vomitar.__ fiz beicinho. —Não suje meus sapatos. Eu baixei a cabeça e olhei para os sapatos dela. Dei risada, por quê a desgraçada usava um par de Louboutin que valia mais que meus rins. —Vou vomitar bem em cima deles.__ continuei rindo, alternado entre tossir, gemer e chorar. —Se fizer isso eu te mato. —Mata não. Você me ama. —É. Amo sim.__ ela tirou os sapatos e colocou eles em cima da pia. Girou o registro do chuveiro e a água fria caiu em cima de mim. Eu pulei do banco, abraçando meu corpo por conta do choque térmico. —Tá tentando me matar?__ eu passei as mãos no meu rosto, batendo o queixo. —Deixa de drama. —Tá gelo puro! -Senta aí.__ ela despejou shampoo no topo da minha cabeça e me fez sentar de novo no banquinho. —Tá frio.__ reclamei. —Mas vai baixar sua febre. E eu lá me importava com isso. Queria banho quente. —Você é muito má. Esquenta um pouco de água. —Esquentar? Onde está o chuveiro que eu te dei? —Guardado.__ era mentira, eu nem tinha comprado ainda, não queria pagar a mais na conta de luz. —Te dei um chuveiro foi para não ficar guardado. —Mas chuveiro elétrico gasta muita energia. —Deixa de ser pão duro! —Não sou pão duro! —É sim! É, eu era sim. Mas eu não podia concordar, por quê ela estaria certa sobre mais coisas sobre mim. E isso era um saco, já bastava aturar minha mãe, e a Nona não andava longe de uma. Claro que ela tinha um pensamento e um gingando com as palavras que as vezes me deixava mudo, mas diferente da minha mãe ela me dava espaço, uma oportunidade para, tipo... "Ei, eu também tenho opinião". Acho que esse era um dos motivos para a gente se dá bem, esse o seu intenso interesse por meus genes defeituosos. —Vou deixar para colocar o chuveiro que você me deu na minha própria casa. Ela me deu um sorriso apertado, duvidando na cara dura de mim. —Sério.__ enfatizei. -Já vou ter cabelo branco e muitas rugas quando você resolver se mudar. Preguiçoso e acomodado do jeito que é, é mais provável passar o resto da vida pagando aluguel e comendo macarrão instantâneo. —Macarrão instantâneo é muito bom. __ eu fechei os olhos quando ela ligou o chuveiro novamente, para enxaguar meus cabelos. De banho tomado, ela me ajudou a levantar. —Eu sei que é meio tarde, mas parabéns! Você agora virou uma mocinha! —Vai se f***r!
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