Estava entardecendo em Isias Rar, Kalisto estava imponente como esperado do Imperador Djin, impecavelmente vestido, acompanhado pela família Imperial, menos a princesa. Kaliopa não deveria aparecer para os convidados antes de ser apresentada a seu noivo, aquele era um casamento muito conveniente para selar a aliança dos Djin com as Fadas, com isso, a mão da princesa Djin seria dada ao irmão da Imperatriz das Fadas.
Não demorou para que as comitivas Imperiais começassem a chegar, criando alvoroço e comoção no povo Djin que havia se disposto na praça a frente do palácio do Imperador, a primeira comitiva a chegar foi a das Fadas, os olhos de Kalisto brilharam ao rever a bela senhora das Fadas, ela se dirigiu respeitosamente a ele, com o sorriso charmoso que apenas ela era capaz de fazer, o Imperador Djin fez uma reverência, dizendo:
— Fico feliz com sua chegada, algumas comitivas informaram que se atrasariam.
Haney sorriu interessada na informação inusitada que Kalisto lhe oferecia, questionou:
— Espero que não tenha acontecido nenhum problema.
Kalisto sorriu, aproximando-se um pouco mais dela:
— Parece que sua irmã está tentando evitá-la.
Haney tentou evitar gargalhar escandalosamente, mas não pode conter o riso discreto de ironia, passando por Kalisto e a família imperial sendo conduzida pelos criados para dentro do palácio. Ônix estava parado ao lado esquerdo do pai, parecia um pouco enjoado por perceber a atmosfera de sedução que havia entre seu pai e a Imperatriz das Fadas, encarou Kalisto revirando os olhos, o Imperador ergueu uma das sobrancelhas prestes a alfinetar seu primogênito, mas o som da agitação dos Djins na praça em frente do palácio, fez ambos ficarem apreensivos. Quando viu entrando na praça principal de Isias Rar uma multidão de seres em chamas, sentiu seu sangue congelar nas veias, mas a visão de um ser magnífico montado sobre um cavalo assustador, coberto de correntes que pareciam estar presas em seus ossos, os quais estavam flamejantes sob as chamas vermelhas vivas, Ônix questionou, perplexo:
— O que é isso?
Hanrrel, que até então estava em silêncio, respondeu sem disfarçar sua preocupação com a quantidade de Zumbis entrando na praça:
— É a Imperatriz Drunk e seus Zumbis.
— Zumbis?
Repetiu Ônix, mais para si mesmo do que para os presentes. Mesmo seu pai sendo o senhor das Trevas e ele tendo sido criado entre Isias Rar e o Reino das Trevas, nunca havia visto criaturas como aquelas. A horda exageradamente grande que acompanhava Drunk invadiu a praça lotando-a ainda mais, sem atacar os Djins ou causar qualquer estrago. Os Djins estavam obviamente apreensivos, Kalisto permaneceu calmo, viu Drunk aproximar-se do palácio, parando o cavalo, olhá-lo dos pés à cabeça, estalando os dedos, fazendo o fogo em seu corpo e toda a sua horda desaparecer, todos eles grunhiram ao mesmo tempo.
Os olhos de Ônix analisavam a Imperatriz a sua frente em todos os seus detalhes, nunca havia visto uma mulher tão fascinante quanto ela, os olhos de Drunk estavam completamente brancos, como seus cabelos e a pouca pele que ostentava sobre seus ossos, deixando-a com uma aparência assustadora.
Drunk apenas fez um sinal com as mãos, e a aparência de toda a horda, tanto os humanos quanto os animais, ficaram com uma aparência de vivos novamente. Todos, a uma primeira olhada, seres humanos normais, a única coisa que chamava a atenção eram as cicatrizes que possuíam em seus rostos e corpos.
Ônix suspirou fascinado, mas foi quando ela fechou e abriu os olhos tomando a sua aparência humana, que não conseguiu mais parar de olhá-la. Sentia que precisava daquela mulher, ela era o que ele sempre desejou em toda sua longa vida. O movimento que o cabelo farto e comprido, de cor cinza era levado pelo vento do fim do dia em Isias Rar, o rosto muito bonito, apenas maculado com uma cicatriz grande sobre a bochecha direita, encarou os olhos dela, aqueles olhos negros e sombrios que, dependendo de como se olhava, via-se que o olho direito parecia coberto por uma pele branca como uma catarata, o jeito que ela estava vestida, fez Ônix ter uma ereção que não conseguiu conter, as roupas negras cheias de pregos e correntes chamavam a atenção, parecia uma dominatrix saída do inferno.
O príncipe dos Djins se perdeu nas fantasias que criou em sua cabeça, onde ela o acorrentava e esfregava seu sexo no rosto dele, imaginou desejoso que os gemidos dela ecoassem em seus ouvidos e o gosto do prazer dela escorresse por sua língua.
Drunk desceu do cavalo olhando diretamente para Ônix, ele estava ainda mais bonito do que se lembrava, imediatamente se lembrou dos momentos que passaram juntos presos, lembrou-se de como ele havia se entregado a ela, do som de seu prazer, do quanto havia gostado de cada momento, de como era delicioso ter sentido o sabor da pele dele, a textura de sua pele, fechou os olhos assumindo sua aparência humana. Sentiu sua garganta secar, ao perceber seus olhos negros e selvagens observando-a, não conseguiu entender a expressão em seu rosto, o viu encolher os ombros e colocar ambas as mãos na frente do corpo, subiu a escadaria do palácio, seu coração acelerava a medida que se aproximava da família Imperial, parou altiva fazendo uma cordial reverência ao Imperador de Isias Rar e os príncipes, todos fizeram uma mesura educada, menos Ônix que ficou congelado olhando para Drunk, seus olhos negros faiscavam.
Kalisto percebeu que o filho não havia respondido a reverência da Imperatriz Zumbi, ele parecia perdido em seus pensamentos, parado olhando para Drunk com uma expressão inexplicável. Hanrrel riu, chamando a atenção de Drunk, que ergueu uma sobrancelha sem entender o motivo que o divertia, Kalisto advertiu o filho:
— Comporte-se como um m****o da família Imperial.
Ônix piscou algumas vezes vendo o rosto e a expressão severa de Kalisto, mais uma vez olhou para Drunk parada de pé olhando para ele, o príncipe fez uma reverência elegante para ela, logo após deslocando-se para o lado, permitindo que ela passasse próximo a ele, entrando no palácio.
Nesse momento, o cheiro dela o deixou completamente entorpecido, era como um veneno delicioso que fazia seu sangue ferver lentamente, seguiu os movimentos dela com os olhos, até que não a conseguisse ver mais dentro do palácio, não se lembrava de tê-la visto antes, mas sentia como se sempre houvesse desejado estar com ela, praguejava mentalmente por não ter falado nada. Kalisto percebeu a atitude estranha de Ônix, rosnou:
— Se for desmaiar, faça isso longe dos olhos dos outros Imperadores.
— Eu...
Kalisto observou com mais atenção o rosto do filho, algo parecia estar diferente nele, franziu as sobrancelhas, olhando sobre o ombro para onde ele estava olhando tão fascinado, preparou-se para perguntar o que estava havendo, mas o som surdo das asas dos dragões pousando sobre o palácio e o território dos Djin tirou sua atenção.
Como sempre, a Imperatriz da Terra Antiga havia feito uma entrada nada discreta, Kalisto voltou sua atenção para a comitiva recém-chegada, com toda a agitação, Ônix apenas saiu do lado do pai, precisava se aproximar de Drunk. Para sua infelicidade, não conseguiu localizar onde as Imperatrizes estavam hospedadas quando Beta passou com Mirela por ele, pensou em segui-las para ver onde os hóspedes ficariam instalados, deu alguns passos na direção das duas, mas se sentiu ridículo, um rosnado baixo saiu de sua garganta, deu meia volta para sair do corredor onde estava e ir para seu quarto aguardar a hora do jantar para oficializar o noivado de sua irmã.
Ônix estava tão furioso consigo mesmo que não percebeu o par de olhos azuis irados o observando do início do corredor. Ouviu, incrédulo de sua falta de sorte:
— Ônix, venha comigo.
O príncipe Djin pensou em ignorá-lo, mas aquilo poderia irritá-lo ainda mais, teria de ouvir sua bronca e seus questionamentos, revirou os olhos frustrado, parecia que todos em Isias Rar estavam focados em mantê-lo afastado de Drunk. Andou até o onde o pai estava, Kalisto estava sério observando o filho, seguiu com ele até os próprios aposentos, abriu a porta e o aguardou passar pacientemente, fechando a depois do príncipe passar, escutou o dizer, fingindo desinteresse:
— Algum problema, majestade?
— Eu poderia fazer a mesma pergunta... O que foi seu comportamento de mais cedo?
Ônix ficou pensativo por alguns instantes, parecia estar buscando no fundo de sua mente algo que explicasse para o pai sua reação, Kalisto estreitou os olhos, observou atentamente a expressão do filho, de repente, Ônix sentou-se sobre uma poltrona no canto do quarto, baixou seu rosto segurando-o nas palmas das mãos e balançou as pernas nervoso, constatando:
— Estou enlouquecendo.
— Explique-se, Ônix.
Falou Kalisto, sem demonstrar o quanto estava preocupado e irritado com aquele comportamento do filho, tentou ser paciente para esperá-lo falar, escutou Ônix vociferar:
— Aquela maldita mulher me desestabilizou, fiquei perdido nas minhas fantasias de ouvir ela gemendo nos meus braços, a ponto de sequer perceber o que está acontecendo ao meu redor... Passei quase meia hora procurando por ela dentro do palácio, quase segui a Imperatriz da Terra Antiga na esperança de encontrar onde ela estava hospedada.
Kalisto não conseguiu esconder a expressão perplexa ao ouvir o filho bufar frustrado, como qualquer jovem apaixonado faria, precisou sentar-se, puxou uma cadeira sentando-se a frente dele, cruzou os braços sobre o peito, seu rosto bonito não demonstrava o quanto estava se divertindo vendo a expressão de fúria no rosto do filho, que bufava de irritação consigo mesmo, Kalisto piscou algumas vezes para espantar a vontade de rir, questionou para ter certeza do que estava ouvindo:
— De quem estamos falando?
Ônix o observou pensativo, tentando lembrar o nome que seu irmão havia dito, ele não tinha prestado atenção naquela informação, respondeu o melhor que pode:
— A Imperatriz Zumbi.
— Drunk? Você está interessado nela? Desde quando, Ônix?