Possibilidades

903 Words
— Interessado, o que isso quer dizer? Kalisto revirou os olhos lembrando-se que embora o filho houvesse tido uma série de relacionamentos, nunca se sentiu interessado verdadeiramente em ninguém. Aquela era a primeira vez que o ouvia falar em desejar possuir uma mulher, percebeu o quanto aquela sensação deveria ser confusa para ele, explicou como se o filho tivesse voltado a infância: — Nutrir sentimentos por uma pessoa, como desejo, paixão, amor... Enfim, por que não disse nada quando a conheceu na Terra Antiga? — Na Terra Antiga? Quando foi isso? Eu me lembraria dela... — Naquele fatídico evento de final de ano que a finada Imperatriz Freydis organizou... — Ela estava lá? — Sim, estava. Passou a noite bebendo com seu irmão e Elizabeta... antes dela sair correndo para parir e a Imperatriz Boa ter sido assassinada e... talvez você não lembre porque estava ocupado raptando uma das mulheres do Clã dos Dragões... — Eu não a raptei, ela implorou para que eu a trouxesse para Isias Rar. E pelo que me lembro, não apenas tive o seu apoio majestade, como a ideia foi sua. — Talvez tenha sido... E quando ela tentou matar você no campo de batalha? — Do que está falando? Perguntou Ônix curioso, não se lembrava do que ele estava falando. Kalisto estava perplexo, Ônix quase havia sido morto por Drunk, pelo menos, era o que ele imaginava, mesmo que tivesse adormecido as lembranças daquele dia da memória dele, não era aquele tipo de reação que alguém que foi torturado teria ao ver a pessoa que quase o matou, sem paciência para as esquisitices do filho, questionou: — Esqueça... É o que pretende fazer? — Eu... talvez possa tentar seduzi-la, você acha que ela teria interesse? Kalisto levantou uma das sobrancelhas, o caso era grave. O filho estava lhe questionando se uma mulher conseguiria resistir a seus jogos de sedução, constatou mais para si do que para o filho: — Você está enlouquecendo. — Por quê? Ela tem um companheiro ou companheira? Poderíamos nos livrar dele enquanto a entretenho... Kalisto o interrompeu, puxando na memória sobre qualquer boato referente a vida amorosa da Imperatriz dos Zumbis: — Drunk não possui marido, nem uma esposa e não me lembro de ter ouvido em algum momento sobre ela ter algum amante... — O que isso significa? — Talvez o vírus zumbi deixe-a sem interesse em sexo. O rosto de Ônix demonstrou toda a sua frustração, Kalisto balançou a cabeça tentando dispersar a confusão que aquela situação inusitada criou em seus pensamentos. Ficou pensativo por alguns instantes, pensou em dar a mão de Ônix para Drunk em troca de aprofundar a aliança entre Isias Rar e a Zona Morta, duvidava muito que as peculiaridades de seu filho fossem matar a Imperatriz dos Zumbis, como acontecia com a maioria das amantes dele, pensou que se aquela união gerasse um herdeiro, a combinação das habilidades dos dois poderia fortalecer ambos os tronos, o único fato negativo da situação é que precisaria eleger um novo sucessor, embora não confiasse em Ônix para sucedê-lo, sem ele seu trono iria para Hanrrel, o que seria um desastre ainda maior, sorriu ardiloso lembrando-se do mais jovem de seus filhos, Ira, o garoto arrogante era quase tão forte quanto ele mesmo, o tornaria o príncipe regente e assim ele ficaria obrigado a obedece-lo, Ônix não lhe faria falta alguma. Kalisto olhou para Ônix para ter certeza se ele concordaria com seu plano, disse: — Caso-lhe interesse, posso oferecer sua mão a ela para estreitar uma aliança entre nossas nações, mas tem de ficar ciente que renunciará a seu direito de ser o próximo Imperador de Isias Rar em prol de seus filhos... Ônix o interrompeu com uma animação que nunca havia visto nele, a ideia de se casar com Drunk, não só lhe interessou, mas fez seu coração bater mais forte. Seus olhos negros brilharam de animação e seu rosto foi iluminado por um sorriso convencido, talvez nem o príncipe tivesse prestado atenção em sua reação incomum: — f**a-se o trono de Isias Rar, quero ela. E os filhos que ela me der, terão nossas habilidades combinadas, muito mais poderosos do qualquer um de nós dois... Kalisto se recostou na cadeira, precisou piscar para se recompor da surpresa que as palavras do filho lhe causaram, constatou preocupado: — Eu estou ficando louco, agora. Você está ouvindo o que está dizendo, Ônix? — Não tenho certeza. Kalisto ergueu uma sobrancelha, estava perplexo com as reações do filho. Ônix parecia confuso com a situação que se apresentava a ele, questionou: — Vai me apresentar como consorte da Imperatriz agora a noite? — Não, primeiro preciso oferecer sua mão a ela, caso haja interesse da Imperatriz, daremos andamento ao noivado. — Gostaria da resposta dela, logo. — Posso fazer isso antes do noivado de sua irmã, isso dará a você tempo de cortejá-la ou se arrepender. Ônix estava pensativo em como a cortejaria, como a seduziria, pensou na intensidade que os beijos dela teriam, em suas mãos percorrendo os quadris dela e suspirou perdido em seus desejos, observou o olhar inquisitivo de seu pai, levantou-se dizendo apressado: — Faça isso Imperador, agora com sua licença preciso me preparar. Kalisto fez um sinal positivo com a cabeça, observando Ônix sair apressado de sua sala, balançando negativamente a cabeça se questionando: — Qual o problema afinal? Ele está apaixonado... Não, com certeza, não.
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