Drunk

1205 Words
Alheia a situação inusitada que Kalisto estava enfrentando, Drunk estava sentada no grande quarto destinado a convidados de honra no palácio Djin, controlava-se para não quebrar tudo ao seu redor e ir atrás de Ônix esbofeteá-lo, gritar com ele e perguntar como podia ser tão frio e indiferente a ela, suspirou fechando os olhos, abriu uma garrafa de whisky. Sua secretaria e outras duas mulheres arrumavam as coisas no quarto, a Imperatriz Zumbi estava sentada em uma grande sacada, com uma vista estonteante de Isias Rar. Drunk havia preparado uma espécie narguilé, o qual ela enchia com ervas, segundo ela relaxantes, mas para a maioria de seu povo, alucinógenos poderosos que apenas sua Imperatriz conseguia utilizar enquanto bebia sem ficar inconsciente por vários dias. Desde que chegara em Isias Rar estava ansiosa para passar algum tempo com Ônix, queria saber se ele lembrava do que haviam passado juntos, ou se para ele foi apenas um dia qualquer, nunca conseguiu esquecer seu rosto desde que o viu na Terra Antiga. Estava sentada junto a piscina em uma mesa do lado de fora e ficou bebendo a festa toda junto com Beta e Hanrrel, estavam animados falando sobre amenidades. Drunk não lembrava exatamente como, mas quando olhou para dentro do salão o viu, seu rosto expressivo, parecia estar discutindo algo com uma mulher. Os cabelos negros descendo pelos ombros, aqueles lábios... ficou perdida olhando para ele, sequer conseguia ouvir o que era dito em sua volta. Mais tarde naquela mesma noite estava andando com Beta, que lhe mostrava a extensão da mansão e sua organização, quando se aproximaram das termas ficou sem ação ao se depararem com Ônix acompanhado de uma moça de cabelos castanhos, ela nunca se esqueceu daquela cena. Ônix segurava com força os cabelos de sua acompanhante, os movimentos dos quadris dele eram ritmados, devia estar muito fundo dentro dela. Os gemidos daquela mulher ecoavam na lembrança de Drunk, sempre que se lembrava daquele momento, ela sentia um sutil formigamento em seu ventre, era naqueles momentos que sentia falta de sua vida antes do vírus. Depois daquele dia, daqueles momentos em seus braços, sentiu a mágoa tomar conta dela enquanto se lembrava, o som que ele fazia quando estava sentindo prazer, o quanto podia ser selvagem, Drunk suspirou frustrada lembrando-se novamente que não era capaz de sentir nada, dor, fome, sono ou prazer, a não ser o prazer nos braços de Ônix, lembrou-se de que ele quase morreu por causa disso, quase o havia matado porque não conseguia se controlar com ele, se amaldiçoou mentalmente por não ser como todos os Zumbis que conseguiam ter uma sensação na transformação, a dor de morrer, menos ela. Sentia falta da sensação do contato físico, principalmente, sentia falta das sensações que o sexo lhe dava, bebeu de um gole só mais da metade da garrafa de whisky, soprou fumaça para o alto, com a cabeça apoiada para trás, suspirou ao lembrar a sensação do toque do príncipe, o sabor que tinham aqueles lábios, como queria poder sentir mais uma vez o cheiro dele, dessa vez não conseguiu sentir. Parecia ter algo faltando nele, talvez ele só estivesse com medo. Um grunhido escapou dos lábios dela, fazendo as mulheres na sala olharem para ela confusas. O som das batidas na porta chamou a atenção da secretaria de Drunk, que se apressou a atender, deparando-se com o próprio Kalisto parado na porta do quarto, a mulher ficou parada sem entender o que estava acontecendo, ele sorriu questionando: — A Imperatriz se encontra? — Sim, majestade. Entre por favor. Kalisto passou por ela majestoso, assim que cruzou a porta viu Drunk sentada na varanda, achou curioso o cheiro da fumaça que ela soprava no ar e percebeu que ela esteve bebendo desde que chegara a Isias Rar, ele andou até que ficasse onde ela o pudesse ver, os olhos negros de Drunk o analisaram parado quase a sua frente, questionou sendo direta: — Do que precisa, Kalisto? — Por que acha que preciso de algo? — O que o traria ao meu quarto? Vontade de ficar sozinho comigo? Por favor Kalisto... nem você acredita tanto assim em seu poder de sedução. Ele ergueu uma das sobrancelhas, teria feito ela engolir aquela frase, mas não poderia fazer isso. Tinha propósitos maiores naquele momento, precisava propor uma aliança por casamento e esperar que ela gargalhasse, depois a convenceria que era uma boa ideia. Suspirou resignado fazendo sua mais galante pose, fazendo as três mulheres no quarto suspirarem, voltou seu olhar intenso para Drunk que o observava desinteressada, disse de uma única vez: — Quero lhe propor uma aliança por casamento, com meu primogênito, príncipe Ônix... Ao ouvir aquela primeira parte do que Kalisto havia dito, não conseguiu desviar os olhos dos dele e não ouviu mais nada do que ele disse, ecoava em sua mente: “Casamento com Ônix.” Lembrou-se imediatamente da cena dele acompanhado nas termas da mansão dos Dragões na Terra Antiga, parecia que os detalhes daquela cena repassavam em sua mente. A pele dele, os cabelos, o peitoral definido, o prazer que ele era capaz de proporcionar, e os gemidos dele de prazer sob seu toque, as expressões dele quando estavam juntos, puxou com força o ar para dentro dos pulmões, sentiu sua cabeça girar, as ervas que estava fumando pareciam enfim ter feito efeito e a relaxado, escutou a voz distante do Imperador Djin: — O que me diz, Drunk? Creio que seja um acordo interessante entre nossas nações. Ela piscou algumas vezes tentando controlar os efeitos da droga em sua visão, Kalisto parado em sua frente parecia estar derretendo cores no chão e na paisagem, ela não podia admitir que não havia ouvido o que ele tinha lhe dito, e que deveriam conversar depois. Ela fez uma cara muito seria dizendo com a voz mais calma que conseguiu: — Parece-me um acordo interessante, não me oponho. Alina, pegue os detalhes da aliança de casamento entre os Djins e os Zumbis com o Imperador Djin, analisarei mais tarde o que me propõem. — Entendo. A noite poderá conhecer melhor o Príncipe. Ela olhou sobre o ombro para Alina que estava com uma expressão chocada no rosto, fez um sinal para ela de que deveria tirar Kalisto de seu quarto junto com as duas outras mulheres, a secretaria a conhecia bem. Drunk queria ficar sozinha, com certeza as drogas que consumiu estavam fazendo efeito. Ela fez um sinal de positivo com a cabeça para Drunk, e logo uma grande reverência a Kalisto que a acompanhou para fora do quarto, fez um sinal para as outras mulheres que entenderam que deveriam sair do local. Quando ficou sozinha, o som das batidas de seu coração parecia estar tão alto que poderiam ser ouvidas em toda Isias Rar. Drunk não conseguia disfarçar seu sorriso, então ele também a queria, apenas esperou o momento certo para que os outros Imperadores não soubessem de sua traição em salvá-lo. Andou até a cama, tirando os coturnos longos e pesados de seus pés, deitou-se sobre a cama, suspirou fundo sentindo os lábios formigarem, lembrando os beijos daquele belo príncipe. Adormeceu em segundos com os braços atrás da cabeça, aproveitando o conforto da macies daquela cama.
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