NARRAÇÃO DA CECÍLIA...
Meu coração está acelerado e eu estou nervosa...
Por que estou me sentindo assim?! Caio é um idi0ta dos grandes! E um elogio é só um elogio. Só não entendi o porquê dele me elogiar do nada e justamente para o Alexander. A gente nem se gosta! Tenho tanto ranço desse moleque.
Fiquei tensa e incomodada.
Depois de algumas horas, Léo voltou para a fazenda com Clarinha e Noah saiu com Alexander e Davi.
Aproveitei para conversar com Árya na varanda da casa. Precisava desabafar sobre como Caio não tem um pingo de noção!
Ela estava distraída ouvindo sua música em seu fone deitada na espreguiçadeira. Respirei fundo e me sentei ao seu lado enquanto olhava Caio de longe andando na areia. Tirei o fone de ouvido da orelha de Árya, impaciente doida para ela me escutar.
- Avisa ao Davi para ele dar uma chamada no amigo dele! Não quero esse garoto colocando meu nome na boca dele e falando por aí coisas que nem pensar ele deveria. - Árya me olhou confusa em entender o motivo da minha revolta. Ela se sentou e cruzou as pernas tentando me entender.
- Me explica o que está acontecendo.
- Alexander disse que Caio anda falando para as pessoas que me acha bonita! Árya eu não aceito nenhum elogio vindo da parte dele! Você sabe cxaomo a gente se odeia!
- Aí Cecília que bobeira. Um comentário desse não faz m@l a ninguém. Melhor falar bem do que falar m@l... Olha eu vou descansar um pouco porque estou exausta! - Árya entrou na casa, praticamente me ignorando e eu encarei Caio de longe catando algumas conchas naquela noite fresca. Olhei para dentro de casa para garantir que Árya não estivesse me observando e voltei olhar para o Caio.
Ele também é lindo..., o rosto dele é tão perfeito, com seus cabelos pretos e liso faziam os olhos claros dele ressaltar. Parei de olhar porque achar bonito não significa que seja legal! Ele disse na minha cara que agora vou ter que engolir a ideia de ele morar na fazenda na nossa família! Que raiva! Foi desrespeitoso comigo além de debochando.
Trinquei meus dentes irritada, procurei ocupar minha cabeça enviando uma mensagem para Noah. Queria ter certeza de que Davi e Alexander estivesse cuidando bem do meu irmão. Ele saiu um pouco bêbado.
- Noah, cuidado e não demora. - Enviei aquela mensagem, mas me assustei com o ranger da madeira do chão da varanda. Congelei quando ao me virar vi Caio entrando na varanda olhando a casa.
- Onde estão todos? - Olhei para ele sem nenhuma vontade de responder.
- Saíram e Árya foi dormir.
- Hum. -Ele olhou ao redor da praia e depois me olhou parecendo querer se aproximar.
- Eu..., achei um Tatuí. - Juntei as sobrancelhas.
- O que é isso?
- É um bicho que se esconde na areia da praia. Eles são rápidos. - Não falei nada, mas a curiosidade foi ativada com sucesso. Olhei a mão dele que segurava com cuidado.
- Quer ver?
- Ele morde? - Caio riu. Pela primeira vez eu o vi rir, o sorriso é tão lindo quanto sua beleza.
- Não. Não mesmo. - Caio se aproximou ainda segurando aquele bicho que não fazia ideia de como é.
- Estende sua mão. - Hesitei e fiquei encarando-o irritada. Eu não queria obedecer, mas sou curiosa! Que dr0ga. Estendi a mão e sua outra mão me fez fechar um pouco mantendo o bichinho fechado e sem escapar. Senti um frio na barriga ao sentir a mão gelada do Caio tocar a minha. Mas minha paz diminuiu quando ele colocou aquele bicho pavoroso em minha mão e ele com suas pequenas patas ou garras arrastaram em minha mão me fazendo soltar um grito e o joguei no chão em pavor!
- Calma! - Caio riu pegando o tal Tatuí do chão.
- Isso parece com uma barata do mar!!! - Falei sentindo calafrios e limpando minha mão no tecido da minha saia.
- Talvez. Mas muitas pessoas caçam esses bichinhos para comer. Eu nunca comi, mas dizem que tem gosto de camarão. - Olhei para ele horrorizada.
- Você é louco!
- Por quê?
- Porque você segura esse bicho asqueroso como se ele fosse um animal todo mimoso! - Caio olhou o Tatuí e voltou a me olhar.
- Olha, para uma filha de um mafioso. Te acho medrosa demais..., medo de Tatuí?! Sério?
- Eu não tenho medo! Eu tenho nojo! A textura dele é nojenta e ele tem casca como de uma barata.
- Mas não é uma barata. - Percebi que eu estava dando muita trela para ele. Aposto que ele fez de propósito! Ele jogou o Tatuí em minha mão para me ver apavorada. Dava para ver ele segurando o riso.
- Você é muito idi0ta! - Me levantei na espreguiçadeira e saí da casa, mas ouvi seus passos me seguindo.
- Porque eu sou idi0ta? Eu não entendo por que me ataca tanto! - Parei e me virei para atrás para responder à altura, mas não imaginava que ele estava perto demais e nossos corpos se trombaram.
- Desculpa. - Caio falou baixo e pude sentir o cheiro do seu hálito. Ele havia chupado uma bala de menta, aposto! A menta se misturou com o seu perfume francês e invadiu minhas narinas tomando espaço na minha mente. Me afastei porque senti que estava sendo tentada a pensar o que eu não devia.
- Eu sei o que você fazia na escola, com seu grupinho. Todos podem passar pano para você, mas eu não.
- Eu não fiz nada. Quem praticava o bullying eram eles. Isso já foi esclarecido inclusive! Mas você insiste em me acusar. - Me calei. Eu não tinha só aquele motivo!
Uma vez fiquei até mais tarde na aula para conseguir fazer o trabalho em silêncio. Saí da sala e pensei que estava sozinha, mas ouvi Caio com sua ex-namorada a insuportável da Beatriz rindo entre cochichos.
Me escondi, mas consegui ver bem os dois. Beatriz se abaixou na frente dele e abriu sua calça jeans, puxou seu membr0 para fora da calça e o chupou ali no corredor! Ele segurava os cabelos dela olhando ao redor para garantir de que ninguém os pegassem no flagra.
Mas m@l não sabia ele que fiquei o tempo todo os esperando terminarem aquela safadeza para poder ir embora. Senti nojo, mas tenho que admitir que pela primeira vez eu senti algo diferente, que não sabia explicar. Era como se ver aquela cena tivesse acendido uma chama dentro do meu corpo e que tomou partes que eu nem sabia que poderiam sinalizar alerta!!! Beatriz é nojenta, e fazer aquilo em público, mesmo que ninguém vendo, me casou repulsa pelos dois.
- O fato não muda. Você gostava de andar com quem oprimia minha amiga. Oprimindo ou não para mim você é farinha do mesmo saco. – Cuspi aquelas palavras com tanta raiva e me afastei entrando rapidamente na casa.
Dei graças aos Céus por terem um quarto de hóspedes.
Subi correndo sentindo meu coração bater descompassado e me tranquei em um dos quartos não querendo ver ele novamente.
Esse menino precisa sumir da minha vida!