PLANEJAMENTO

1469 Words
NARRAÇÃO DE NOAH... Eu estava aéreo e bastante embriagado! Só me lembro de me esbarrar em um valentão e mesmo pedindo desculpas ele me empurrou e cai. Nesse meio tempo lembro de tentar me levantar, mas perdi as forças quando vi o coroa grandalhão morto e Alexander fazendo sinal de cruz com a mão. Minha visão estava embaraçada, mas eu sei que a mão do Alexander estava toda ensanguentada e ele segurava seu canivete suíço que meu avô havia lhe dado de presente. Mano, meu melhor amigo e primo é um psicopata! Só pode! Não tem outro adjetivo para descrever Alexander; ele mata, ri e debocha do defunto, só gente r**m faz isso! Conseguem imaginar o tanto de vezes que o meu segurança precisou entrar em alguma confusão? Alexander sempre resolvia tudo em 1 minuto. Lá estava ele me levantando, com as mãos sujas de sangue manchando minha camiseta branca. Saímos do bar rapidamente, mas é claro que antes Alexander roubou uma garrafa de Johnnie Walker e bem a versão JWalker & Sons King George que é a mais cara. Fiquei com dó da atendente que teria que trabalhar meses para justificar a falta daquela relíquia. Saímos sorrindo. Quem vê a atitude insolente do Alexander acha que ele é um pobre coitado que não pode comprar pela garrafa do whisky. Se ele cismar ele compra tudo aquilo! Até mesmo as garçonetes. Mas ele prefere desafiar a todos e agir como se pudesse fazer tudo o que tem vontade. - P0rra Alexander! Maldade! Prejuízo para os donos. E coitado do bartender que vai ter que arcar com o prejuízo. – Ele parou, se virou ao meu encontro, olhou nos meus olhos me encarando e soltou uma lufada de ar como se entediado por aquela conversa! Voltamos para o bar como se nada tivesse acontecido e Alexander abriu um sorriso forçado. - Esqueci de pagar! - Alexander deixou um rolinho de notas em cima do balcão e olhou o corpo do velho estirado no chão. - Isso é pra pagar a bebida, o enterro do velho, e a limpeza do salão... Tenha um boa noite senhorita! Segurei a risada quando Alexander piscou para a garçonete e ela corou soltando um sorriso constrangido. Nos afastamos, mas quando estávamos saindo do bar a garçonete gritou por nós e correu nos parando. Alexander soltou um sorriso de canto de boca já sabendo o que iria acontecer. A garçonete parou à sua frente e estendeu sua mão lhe entregando um bilhete. - Me liga! - Ri ainda bêbado. É tão previsível...Alexander pegou o papel colocou no bolso de qualquer jeito e seguimos para a casa de veraneio. Meu corpo não me obedecia! Andava cambaleando e Alexander fazia o quê? Ria! - Você precisa parar de matar as pessoas! - Resmunguei. - Aquilo foi defesa brother. Faz parte! Ele socou meu rosto velho retardad0. - Ri, mas parei vendo duas casas de veraneio ao invés de uma. Dr0ga, peguei pesado com a bebida! Olhei de longe a fogueira acesa com todos sentados em torno. Suspirei pronto para disfarçar minha embriaguez. - Preciso fingir que estou bem para Cecília, minha irmã gêmea, não ficar preocupada! – Pensei alto e Alexander balançava sua cabeça em negação rindo da situação. Assim que nos aproximamos, Alexander tirou sua camisa ainda rindo e me deixou sozinho correndo em direção ao mar. - Vou tirar o sangue do corpo! Cuidado pra não cair na fogueira caralh0! - Ri olhando Alexander, o doido entrar no mar sujo de sangue naquela noite fria. Me juntei a galera que cresci, olhei Clara abraçada com Léo, Davi abraçado com Árya, Cecília com cara de poucos amigos sentada próxima do Caio, o novo membr0 da família. Davi havia comentado que bisavô Maurício tinha adotado aquele garoto. Fiquei observando de longe, ele tinha cara de príncipe da Disney. Sei lá, não fui muito com a cara dele. Cara de mimado e muito certinho. Ele parecia incomodado de estar ali, também segurando vela de dois casais. Me sentei ao lado dele e da Cecília para fazer companhia...éramos os três sobrando, ou melhor, quatro assim que Alexander se juntasse a nós. - Tem alguma coisa pra comer? - Perguntei sentindo meus lábios adormeceram por conta do álcool no organismo. Cecília estendeu um saco de amendoins me oferecendo com uma piscadela. - E aí Noah, conseguiu falar com Bianca? - Léo, meu irmão mais velho perguntou, mas eu via curiosidade em seu olhar e aposto que não é a respeito da Bianca e sim sobre nosso pai. - Não, ela não quer minha aproximação. - Minha resposta fez o semblante deles caírem e todos me olharam com surpresa. - E o nosso... Pai? - Léo perguntou com um fio de esperança. - Não quero falar dele! Vamos curtir! E querem saber de uma fofoca, Alexander matou um coroa brigão no bar? - Mentira?! - Clarinha perguntou eufórica. - Não mesmo! Vocês não imaginam a cena. - Sorri comendo o amendoim. Foi só falar no Alexander e ele apareceu caminhando na areia, usando só a calça jeans e todo molhado. Caminhou como se nada tivesse acontecido e se sentou ao meu lado. Não sei se era o efeito do álcool, mas o cheiro de sal da água do mar, fixados no corpo do Alexander me enjoaram. - Me dá um cigarro! - Tirei a carteira de cigarro do bolso e o entreguei. - Precisamos ajudar a Bianca gente! - Clarinha falou esperançosa e retomando aquela conversa que eu queria fugir. O meu semblante caiu ao me lembrar de como ela me olhou, tomada pelo pavor e pelo medo. Todos começaram a conversar sobre como poderiam ajudá-la. Acho que fiquei meio deprê e preferi sair daquele grupinho indo para a casa de veraneio. Fiquei na varanda e aproveitei para enviar uma mensagem para a Bianca. Algo nela me despertava o instinto de cuidado, de proteção, e eu queria muito tê-la sobre os meus cuidados. A bebida faz a gente perder o resto da noção e a vergonha na cara some. Ainda sob o efeito do álcool no meu sangue, peguei meu celular e comecei a teclar, mesmo com dificuldade: _”Bianca, minha linda. Eu sinto muito por tudo o que você passou...queria ter o poder de sarar suas feridas! Vou te dar espaço como deseja, mas quero deixar claro que sentirei falta das nossas conversas e dos seus áudios com gargalhadas gostosas de ouvir.”_ Pronto, não pensei e enviei! F0da-se. Agora se ela vai visualizar ou não minha mensagem não terei como saber. Bianca desativou todas as notificações e retirou inclusive a foto em seu perfil. Respirei fundo frustrado e triste. P0rra eu estava gostando desse clima de ser amigo íntim0 de uma mulher. O tempo em que vivi na Alemanha as mulheres só apareciam para abrir as pernas e satisfazer minhas necessidades. Elas tinham interesse no meu nome e no poder, enquanto eu tinha interesse em f0der e estava tudo certo! Pra mim não existia nome e nem sobrenomes envolvidos. Nunca fiz questão de conhecer nada sobre nenhuma das mulheres que tive um contato. Mas com Bianca tudo tem sido diferente! As conversas sempre foram com naturalidade e nem eram sobre sentimentos. Nunca nenhum de nós dois demonstramos qualquer tipo de interesse diferente. Só a tinha como uma grande amiga e confidente. Inclusive ela me aconselhava muito sobre aprender a perdoar... Ela falava que a mágoa e o rancor nos adoecem e que deixamos de amar optando pelo ódio. Bianca é inteligente e sinto muita falta de seus conselhos e conversas! Pensar em tudo o que passamos e no sofrimento que ela provou me fez entrar numa melancolia e para aliviar me vi procurando por uma bebida na casa de Davi e voltei a me afogar na bebida. A cada gole, uma lágrima caia por ela. Minha intenção era afogar as minhas mágoas naquele copo e beber até que eu não pudesse sentir mais nada e tivesse minhas emoções anestesiadas, mas minha paz foi interrompida quando Alexander entrou na varanda me provocando. - Chorando de novo caralh0?! - Me deixa em paz! - Pedi escutando as ondas do mar se quebrando na areia. - O que foi? - Alexander perguntou ficando ao meu lado fumando e olhando a noite. - Estou com ódi0 porque Bianca está machucada e eu não posso fazer nada. - Hum! Fiquei sabendo que o estuprad0r está na casa da tortura. Podemos esperar chegar umas três da manhã e quando todos estiverem dormindo a gente rouba o estuprad0r e devolvemos ele de manhã. Olhei Alexander com um fio de esperança! Não é que o doido às vezes até que falava coisas interessantes. Eu preciso descontar minha raiva naquele filho da put@ e a idéia do Alexander é perfeita. - Vamos, agora! - Grunhi sentindo raiva.
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