Lívia O aroma de pólvora ainda pairava no ar enquanto caminhávamos, passo a passo, para fora do escritório, em direção ao portão de carga. Minhas mãos tremiam, e o vestido de seda roçava minhas pernas. A lua envolvia o Morro, projetando sombras longas que se estendiam como dedos famintos. Ao lado de Micael, eu me sentia minúscula – e, ao mesmo tempo, integrada a algo que jamais compreendi por completo. Paramos no pátio, onde guardas desarmaram e prenderam dois capangas de Cortez. Eles gemiam de dor, prometendo vingança enquanto eram algemados ao muro. Micael observava a cena em silêncio absoluto, com os olhos frios como aço e uma expressão impenetrável. — Leve-os para o depósito. — Sua voz foi um comando tão cortante que até os homens em volta estremeceram. Enquanto os guardas se afas

