Micael. Ela gemeu no meu ouvido: — Micael… eu… — Eu sei — respondi, voz áspera. — Você confia em mim. Os lábios, as mãos e os corpos se uniram em um ápice de entrega total. Tudo se desfez: a Maré, o frio, a crueldade planejada para fora do quarto — restávamos apenas nós, dois predadores famintos por prazer e controle. Depois, caímos exaustos, suados, emaranhados nos lençóis pretos. Eu, inquieto mesmo na calmaria; ela, com dedos trêmulos acariciando meus braços. Ficamos assim por alguns instantes, sós no epicentro de nossos desejos. — É bom — ela murmurou, encaixando o rosto no meu peito. — Mas quando sairmos, vai ser tudo ainda mais perigoso, não é? O peso da verdade pressionou minhas costas. Ela tinha razão: a noite lá fora jamais seria gentil conosco. Inspirei o cheiro do cabelo d

