Micael O ar pesado da madrugada ainda pairava sobre a Maré, impregnado de pólvora, adrenalina e um fio tênue de esperança que eu me negava a descartar. Saí do bunker de operações com passos silenciosos, as botas ecoando apenas para mim mesmo, como quem pisa nas cinzas ainda quentes de um incêndio recente. Lá em cima, o morro dormia entre os barracos e vielas, sem saber que, a cada respiração minha, sua sobrevivência se tornava questão de estratégia. Sentei-me na beira do terraço, pés cravados no parapeito frio. A cidade lá embaixo parecia uma tapeçaria de luzes fugidias, mas meu olhar estava preso no brilho distante da lua. Pensei em Lívia, a deixara resguardada no quarto principal, envolta em alarmes, câmeras ocultas e guardas de elite. Ainda assim, sabia que meu sistema de segurança ma

