Micael O céu noturno sobre a Maré parecia um manto enegrecido, rasgado apenas pelas luzes oscilantes dos postes e pelo brilho austero das câmeras de vigilância. Eu observava tudo do alto da torre de controle, pés fincados no tapete grosso, mãos cruzadas atrás da nuca. Lá embaixo, o pátio pulsava com a frieza mecânica de um monstro pronto para devorar qualquer um que ousasse cruzar seus limites. Eu era o coração — e a lâmina. Mas meu pensamento permaneci preso a Lívia. A lembrança do rosto dela, iluminado pela lua quando a levei de volta à mansão, queimava mais forte que qualquer radar, mais incisiva que todos os sensores de movimento. Tinha algo na forma como ela se apoiara na porta, o corpo trêmulo, o olhar confuso — medo, amor, culpa, esperança. Tudo entrelaçado em seus olhos verdes c

