Capítulo 47

1306 Words

Micael A noite pairava sobre o Morro com um véu denso, pesado como meus próprios pensamentos. As últimas mensagens daquele maldito “F.” haviam se tornado uma obsessão — cada bilhete era um desafio pessoal, uma afronta. Agora, caminhando por entre becos estreitos até o labirinto dos túneis abandonados, eu sentia que chegávamos perigosamente perto de revelar o rosto que nos atormentava. Lívia seguia ao meu lado, o rosto iluminado pelo reflexo tênue das lanternas que carregamos. Ela avançava devagar, expressão séria, os olhos grandes atentos a cada sombra. Quando paramos na entrada estreita do primeiro túnel, percebi nela um leve tremor — de frio ou medo, não importava. Para mim, aquela hesitação era uma promessa silenciosa de vulnerabilidade. — Você tem certeza disso? — perguntei, a voz c

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