Capítulo 25

1389 Words

Micael O céu noturno sobre a Maré estendia-se como um manto esfarrapado, salpicado por luzes distantes e ecos abafados de latidos. Da minha varanda, meus olhos percorriam as vielas que se contorciam entre os barracos, um labirinto de cimento e ressentimento à espera das minhas ordens. Cada câmera, cada sentinela, cada código grafado nos muros eram peças de um vasto jogo, onde eu detinha o poder de rei e carrasco. Mas, àquela hora, minha mente não se contentava com a dança das sombras no morro. Pensava em Lívia. Lembrei do leve tremor das mãos dela quando a envolvi em meus braços, do calor súbito de seu corpo contra o meu. A lembrança de sua pele — macia e tensa, entregue como um desafio — ainda me consumia. Éramos dois impulsos contrários: eu, frio e calculista; ela, brasa viva prestes

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