Micael O salão de jogos estava em silêncio absoluto, como se o Morro tivesse suspendido sua respiração para me observar. Entrei carregando apenas a lanterna tática e meu coldre fechado, o rangido da porta atrás de mim soando estridente contra o eco das pilhas de fichas e mesas de roda de roleta agora varridas pelo pó do abandono. A luz da lanterna cortava a penumbra, revelando cartas rasgadas pelo tempo, marcas de cera no mármore e, em um canto, vestígios de um ritual sinistro: a serpente de metal, pálida mancha de sangue seco, ainda repousava sobre o tapete persa encardido. Ali, onde dias atrás eu jantara com Lívia e trocara olhares com Rafael, encontrava agora a prova do domínio de “F.”: cartas consagradas em cera vermelha, espalhadas em círculo ao redor da lâmina ornamentada. A mesma

