Capítulo 9

1021 Words
Nem tiveram tempo de conversar nada. Rebeca entrou para dentro do salão, perguntou a Débora se ela tinha visto Tassiane e as duas foram juntas procurar. Ela estava arrasada, trancada no banheiro. Contou que estava grávida, mas que não queria que ninguém soubesse ainda. A família dela já sabia, e a mãe estava tentando apoiar. Ficaram com ela até se acalmar. Quando a festa acabou. Neto estava quase indo embora e foi perguntar se Rebeca queria ir junto. Como ela também estava assustada com a notícia da gravidez, foi embora com ele e Célio. Não trocou uma palavra com Neto. Quando estavam chegando em casa, ele perguntou se ela podia ficar para dormir lá. Rebeca falou que não queria. Ele insistiu, mas, sendo ignorado, logo a chamou de chata. Célio perguntou se os dois tinham brigado. Rebeca falou, descendo do carro: — Não, mas o Neto fica diferente quando tem mais gente perto. E amanhã ele vai embora de novo sem se despedir. Eu nem ligo mais. Foi para casa sem falar com Neto. No dia seguinte, já cedo, ele foi bater na janela e não a deixou dormir, só de birra. Ele tinha uma personalidade forte. Rebeca demorou para sair, mas ele ficou lá fora conversando com o tio dela. Quando ela saiu, perguntou o que ele queria. Neto disse que queria se desculpar por tê-la chamado de boba infantil na frente de todos. Foram para a casa dele. Ele pegou as coisas que eram de sua mãe e falou que era para Rebeca ficar com tudo o que quisesse, porque ela precisava de coisas como aquelas e ele não. Tinham vestidos floridos soltinhos, bijuterias, muitos acessórios de cabelo. Célio já tinha liberado e achou legal a ideia. Quando estavam levando as caixas para a casa dela, Neto falou, chateado, que não queria ficar mais na avó e que sentia falta da amizade dos dois. Perguntou se tudo voltaria a ser como antes se ele ficasse. Rebeca respondeu, também triste: — Eu não sei. Se você não for o mesmo, nada vai ser como antes. A gente não é mais criança também, uma hora isso ia acontecer, e tá tudo bem. Sei lá, às vezes nem me reconheço, como ontem, aquela roupa, a maquiagem... Ele falou que ela estava diferente mesmo, que a preferia sem aquelas coisas todas. Ficaram juntos o domingo todo. Neto foi nadar e Rebeca ficou só com os pés na água. Ele perguntou, curioso, se ela não podia ou se não queria entrar na água. Ela falou que não queria. Ele respondeu: — Tá bom, não precisa ficar mentindo pra mim, igual naquele dia que o pessoal estava aqui. Nós não mentimos nunca um para o outro, né?! Isso não pode mudar, nunca. Nunca mesmo! Rebeca concordou com ele e deitou na beirada da piscina, bem perto. Ficou olhando as nuvens, imaginando os desenhos que elas formavam. Neto estava dentro da piscina, apoiado na borda, bem próximo da cabeça dela. Falou que o cabelo dela estava cada vez mais bonito por estar crescendo. Ela ficou virada de lado para ele. Às vezes os dois ficavam quietos, só se olhando. Era coisa deles desde pequenos, e tudo parecia ser como sempre foi nesses momentos. Dessa vez, ele se despediu antes de ir embora. Abraçaram-se. Neto falou que ia voltar para ficar logo, logo. No dia seguinte, Rebeca levou as coisas que lhe emprestaram para a aula. Tassiane não foi por dias. Rebeca foi visitá-la em casa. Ela estava triste e a chamou para sentar com ela no quintal. Contou tudo o que estava acontecendo e disse que não queria ficar com alguém como Saulo. Rebeca levou para ela de presente um colar da amizade novo. Tassiane voltou a ir para a aula. Os meninos estavam no fundo, sozinhos. Rebeca m*l conseguia olhar para Felipe, de tanta vergonha que ficou. A gravidez ainda era um segredo. Não falaram mais do assunto proibido. Ela estava evitando Saulo, e ele, igual bobo, correndo atrás. Na mesma semana, a escola toda ficou sabendo. Começaram a falar dela, mandar bilhetes anônimos ofendendo, zombando. Rebeca faltou alguns dias porque não sabia como lidar com aquilo. Tassiane estava muito m*l falada, e ela estava assustada. Pensou que logo iam começar a falar dela também. Decidiu sentar longe. Teve um trabalho muito importante que Rebeca esqueceu de fazer. As meninas fizeram e a excluíram de propósito, só porque começou a sentar longe. Felipe, que nunca fazia nada, fez sozinho e colocou o nome dela. Ele foi conversar com Rebeca um dia e perguntou por que ela não estava mais ficando com as meninas. Ela falou que nunca achou certo o comportamento de Tassiane e que não queria virar alvo de todo mundo por isso. Felipe comentou que Saulo não queria o bebê e que ia seguir com a vida dele. Rebeca acabou ficando sozinha, porque os três começaram a andar juntos: Débora, Tassiane e Felipe. Não demorou muito para se voltarem contra ela. Um dia, no banheiro, as duas estavam lá e Rebeca não sabia. Entrou e falou oi. Tassiane perguntou por que ela contou o segredo dela. Rebeca falou que não tinha sido ela. Tassiane questionou por que ela não estava ficando com elas e por que faltou assim que começaram a espalhar boatos. Rebeca voltou para a sala tentando não perder a cabeça. Tassiane foi muito agressiva. Na sala, foi atrás dela e continuou confrontando. Rebeca falou que não achava normal uma menina da idade delas grávida e que nunca achou normal o comportamento dela, as coisas que fazia com Saulo. Tassiane jogou o colar nela, chamou-a de falsa e gritou para todo mundo ouvir que Rebeca tinha inveja, porque morava no lixão, era relaxada, suja e que menino nenhum gostava dela. Que aquilo a incomodava, ela ser bonita, ter amigos, namorado, enquanto Rebeca não tinha nada e ninguém que gostava dela. Falou até que Rebeca ia na casa deles para comer e assistir, como uma pobre mendiga. Ela estava sofrendo e quis descontar em Rebeca, mas a culpa não era dela. Tassiane fez questão de usar o ponto fraco dela contra ela.
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