Capítulo 10

936 Words
Rebeca saiu da sala chorando. Tassiane falou para todo mundo que ela espalhou a fofoca. Felipe foi atrás, levou a mochila dela, abraçou-a e disse que sentia muito e que aquilo não era verdade, as coisas que Tassiane disse, mas perguntou se Rebeca tinha contado para alguém. Muito chateada, ela falou: — Você veio pra perguntar isso? Ele quis se justificar, dizendo que Tassiane ia à diretoria falar dela. Com os olhos cheios de lágrimas, Rebeca respondeu: — Eu não falei nada pra ninguém, mas não importa. Vocês já têm a verdade dela e quem vai ligar pro que eu falo, né? Rebeca pulou o muro para ir embora. Felipe foi atrás. Convidou-a para ir à casa dele e ficou tentando conversar com ela. Muito nervosa ela nem quis ir embora para casa. Foram para a casa dele. Rebeca sentou na sala. Ele lhe deu água. Com jeitinho, foi se aproximando. Ela nunca tinha sido tocada daquele jeito, nem por Neto. Felipe era mais velho que ela e tinha segundas intenções. Ele a puxou para perto sutilmente, acariciando o cabelo, os braços. Ficou abraçado com ela e até lhe deu carinho. Foi muito bom. Rebeca começou a sentir coisas, que não entendia em seu corpo, ficou até a hora do almoço lá. Ele se ofereceu para acompanhá-la até em casa, mas ela achou melhor não. Não teve beijo nem nada, mas, ainda assim, foi simplesmente incrível para ela. Foi embora revoltada demais com a vida. Não contou a verdade para o tio, só falou que não ia mais para a escola. Ele perguntou se tinha acontecido alguma coisa com que devesse se preocupar. Rebeca falou que não, que sempre soube que o lugar dela não era lá. Os dois concordaram que seria melhor ela se afastar. Ele nunca fez questão que ela estudasse mesmo. O ano letivo já estava acabando, e Rebeca não repetiu. Como não tinha celular ou redes sociais, ficou incomunicável. Logo as férias começaram, e Neto voltou de surpresa. Ela ficou muito feliz. A vida dela estava um grande tédio. Só que o primo dele veio junto, o mala do Júlio, e isso já de início a incomodou. No primeiro dia, já ficou meio de canto, não quis deixar o trabalho e ir nadar fazer churrasco com eles. À noite, Neto foi chamá-la para sair. Jogou pedrinhas na janela. O tio de Rebeca tinha o sono super pesado e nem se mexeu quando ela saiu. Neto estava sozinho e disse que queria mostrar algo que aprendeu. Todo misterioso, não queria falar antes, ela deduziu que era algo relacionado aos interesses dele. Rebeca ficou com um pouco de receio. Ele perguntou se ela não confiava mais nele. Estendeu a mão. Ela segurou e falou que só iria se o primo dele não fosse junto. Neto garantiu que seria só os dois. Saíram escondidos. Era tarde, quase meia noite. Neto tinha aprendido a fazer manobras mais perigosas com o carro, escondido, decidiu pegar o carro novo do pai, uma BMW, para mostrar e ensinar a ela. Ficaram andando só pelas estradas de terra, dando cavalinho de p*u, fazendo Drift. Foi muito divertido voltar a dirigir, ele já havia a ensinado antes, o básico. No outro dia, repetiram a dose. Foram mais longe, pegar a pista. Quando voltaram, o primo dele estava esperando, sentado no quintal. Ficou bravo porque saíram sozinhos e falou que ia entregar os dois se não fosse também das próximas. Com Júlio dirigindo, foram para a Arena Underground, era um parque na cidade, que tinha uma pista de arrancada de carros e corridas clandestinas. Ele adorava beber e curtir, conhecia um pessoal lá. Rebeca e Neto foram comer lanche, nem ficaram muito por lá, porque ele não quis. Não voltaram buscar Júlio, ele estava ficando com Aisha, uma garota que corria sempre e ela o levou embora de madrugada. Rebeca percebeu que Neto não quis ficar lá, diferente de sempre quando ia sem ela, mas não achou que foi de propósito, por ela estar junto. Júlio fez muita amizade com os amigos de Aisha. Todos eram mais velhos, alguns corriam, outros cuidavam da organização das corridas. Eles voltaram lá outras vezes, Rebeca estava adorando, mesmo que não assumisse, ficava de canto sem beber ou fumar, apenas observando os carros. E Neto bebia muito, mais sempre ao lado dela, sem dar qualquer espaço para outros homens se aproximarem. Ela estava se vestindo diferente, usando calças agarradas, cropeds, blusinhas mais delicadas, tudo sempre preto, tons escuro. E passava muito lápis preto nos olhos e máscara de cílios, destacando os olhos verdes. Ela chamava a atenção mesmo sem qualquer esforço. E o fato de ser muito quieta, séria, a fazia ficar ainda mais destoante das outras meninas lá. Sempre tinham carros com som automotivo, tocando funk, Aisha dançava na frente do próprio carro e tentava fazer Rebeca se soltar, beber, o que não acontecia. Júlio sempre fazia comentários sobre Rebeca ser estranha, psicopata, anti social, e a maioria dava risada, incluindo Neto, que a defendia mas não o suficiente, o que a deixava muito irritada. Vê-lo socializando, até correndo, a deixava enciumada, incomodada, e ela só não deixou de ir, por interesse próprio. Alguns dias depois, Célio e Antônio foram viajar, para pescar, como sempre faziam. Neto e Júlio decidiram dar uma festa, para os novos amigos. Célio deixava os dois fazerem de tudo, comprou muitas bebidas destiladas, caixas de cervejas. Ele dizia que só confiava porque Rebeca estava junto, como se os dois fossem ouvi-la. Ela estava percebendo que Neto a cada dia, mudava, e não via como normal, porque ela não mudava igualmente.
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