Capítulo 21

1688 Words
Rebeca agradeceu, mas não conversaram muito. Quando Neto foi de novo visitar, ela também ficou quieta a maior parte do tempo. Logo recebeu alta e foi para casa só com o tio. Ficou usando como desculpa estar doente para não ir trabalhar mais e evitar todos. No fim de semana, Neto foi à casa dela chamá-la para assistir filme. Ela falou que não queria sair. Ele a conhecia muito bem para saber que ela não estava bem, então nem insistiu. De tanto ganhar “não”, parou um pouco de ficar atrás dela e foi ficando chateado, porque queria a amizade dos dois de volta. No domingo cedo, o tio de Rebeca foi pescar com Célio e a avisou. Ela voltou a dormir. O sono estava demais, fora do normal. Acordou com Neto no quarto, acompanhado de Aisha. Ela sentou na cama com uma sacola de presente nas mãos e falou que era para Rebeca abrir sozinha. Sonolenta, Rebeca perguntou o que os dois queriam. Aisha respondeu: — Se Noé não vai até a montanha, a montanha vai até Noé. Neto falou, rindo: — Maomé, não Noé! Vamos pra minha casa reunir o pessoal, ficar de boa na piscina. Ou fazer qualquer coisa! Você precisa se distrair um pouco. — Nós não vamos desistir. Aisha começou a falar que não iam aceitar não como resposta, que Rebeca precisava tomar sol, porque estava parecendo uma vampira. Ela falou que não podia, porque precisava de repouso. Aisha falou, levantando: — Neto, carrega ela. Você dorme pelada? Ahhh, safadinha, já está praticando o que te ensinei. Neto se aproximou para pegá-la, ameaçou puxar o cobertor e perguntou do que ela estava falando. As duas começaram a rir. Ele disse que ia deixá-la ir por vontade própria. Rebeca acabou aceitando. Neto foi embora primeiro. Aisha estava deitada nos pés da cama, mexendo no celular. Rebeca abriu a o presente e havia um celular novo lá. Aisha falou rindo: — Meu irmão te mandou. Ele disse que depois você paga, porque do jeito que é orgulhosa não vai aceitar de presente, é lógico! — Ele não parou de perguntar sobre você. Rebeca falou que não podia mesmo aceitar. Aisha ficou tentando convencê-la. Ela prometeu pensar. Aisha começou a falar de Noah, que ele era diferente de todo mundo, porque não era bonzinho para ninguém, mas que, sabendo lidar com ele, dava para ter tudo. Rebeca começou a procurar uma roupa para se trocar. Aisha falou: — Você não tem biquíni, né? Eu trouxe mais de um, já imaginava. Ahhhh, você se depila, né? Tipo lá embaixo? Rebeca respondeu, séria: — Ahhhh, não começa, vai. Sem aulas por favor. Ela estava deitada, levantou e falou, surpresa: — Não? Meninaaaa, preciso te ensinar tudo mesmo! Envergonhada, Rebeca falou que não ia mostrar nada. Aisha começou a falar das opções que existiam para se depilar. Rebeca respondeu: — Eu aparo. Uma vez raspei e ficou coçando, foi horrível. Não vou fazer nada! Ninguém vai ver mesmo. Odeio me mostrar. Aisha falou rindo: — Vai ser virgem pra sempre, puritana? Rebeca falou que era o plano. Aisha disse que iam ao mercado, rápido. Rebeca se trocou e foram. Ela perguntou se Rebeca queria dirigir. Ela aceitou na hora. O carro dela era um Audi RS6 rosa. Aisha foi cantando, dançando, mexendo com as pessoas na rua, homens. Ela estava eufórica, diferente de dias atrás. Quando estavam na cidade, Aisha tirou o cinto de segurança, sentou na porta pelo vidro e começou a mexer com Noah de longe, o chamando, dando tchau. Ele estava conversando na porta de uma loja. Ficou muito olhando sério, e Rebeca, apavorada, com medo de ela cair. Aisha deu muita risada, voltou a sentar, colocou o cinto e perguntou se Rebeca estava confiante para correr, porque ele ia ir atrás delas, matar as saudades da ruivinha dele. Rebeca falou que não sabia se podia correr. Aisha falou, incentivando: — Tá bom, então só passa os cruzamentos. Você olha de um lado e eu do outro. Se eu falar vai, você vai. Só confia e acelera! Ele não vai conseguir pegar a gente assim. No começo, Rebeca negou, ficou com medo. Aisha falou que dava para pegarem a pista. Rebeca perguntou: — E o mercado? Aisha respondeu, eufórica olhando o retrovisor: — Esquece de mercado, o Noah está vindo, presta atenção na estrada, vê se sente o carro. — Ele tá puxando um pouco pro meu lado na curva, só não freia bruscamente, senão a gente capota. Segura firme e, assim que virar, volta a acelerar. Toda concentrada, Rebeca falou “aham”. Aisha falou olhando para trás. — Se ele não alcançar a gente, vai ficar muito bravo, se acha o dono do asfalto. É confiante, mas tem juízo demais pra correr. Sempre fui mais ousada! — Noah me ensinou a dirigir. Elas saíram da cidade, Rebeca correu muito, amou a adrenalina, foi muito divertido, se sentiu tão viva e poderosa. Foi incrível. Quando realmente ganharam dele, Aisha falou que era para ela fazer um retorno e parar, esperando por ele no sentido contrário, para afrontar. Rebeca fez o que ela falou, parou na entrada da cidade. Ele encostou ao lado e falou sério que não estava para brincadeiras. Aisha disse que não estava dirigindo, que não tinha culpa. Rebeca respondeu, rindo: — Me declaro culpada! Vai brigar comigo, Noah? Ninguém nunca briga comigo, todos têm dó de mim. Ele sorriu e falou com malícia, olhando nos olhos dela: — Não tenho dó de você e, se me provocar de novo dessa forma, vou ganhar de você e já disse o que quero como prêmio. Você. Ele era muito bonito, e tinha aquele sorriso, que nunca dava para saber quais eram as reais intenções, já que a fama não era boa e ele era misterioso. Rebeca respondeu, encarando-o sustentando o olhar: — Sabe Noah, talvez, se você só me convidasse pra sair, eu fosse. Sem esses jogos, e manipulações. Aisha falou, brava: — Aí, que nojo, vamos embora! Para de flertar com ele. Ele ficou rindo encantado e foi embora. Ela perguntou se Rebeca estava falando sério sobre Noah. Rebeca respondeu: — Não, eu só tô tirando com a cara dele. E ele com a sua. O que alguém como ele podia querer com uma menina como eu? — Não sou bonita, não sei me arrumar, vivo suja, m*l vestida. Nem sexo à toa, porque tenho certeza que ele tem outras opções disponíveis, mais sensuais, experientes. Ele só mexe comigo pra te provocar, boba! Ela falou que Rebeca era linda, que, diferente de muitas, nem precisava se arrumar toda para ficar bela, porque a beleza dela era natural e ela tinha seus atrativos, peitões. Perguntou se Neto tinha falado algo sobre os dois. Rebeca respondeu: — Não e espero que não fale, eu não quero. Se ele começar com graça, vou parar de falar com ele e você vê se não incentiva, Aisha! Aisha falou, rindo: — Aí, nossa, e quem disse que eu vou ficar incentivando? Tá que ele gosta de você e você é apaixonada por ele. Olha só, ele veio me falar umas coisas e eu acho que vocês precisam sentar e conversar melhor, porque os erros cometidos agora, jovens, muitas vezes não têm mais volta. — Eu sei que é tudo novo e ele te machucou porque está um pouco à frente, ficou com várias meninas, mas é de você que ele gosta. Ele vai aceitar qualquer coisa que você peça, se quiser namorar, ficar escondido, ir com calma. Vocês dois são muito novos ainda! Rebeca falou debochada: — Várias, é? E todos mundo sabia. Que nojo. Ela falou que duas, talvez quatro. Rebeca respondeu irritada: — Não quero isso, tô tranquila. E uma amizade vale muito mais que ficar se agarrando à toa, tá. Ela disse que dava para ter os dois ao mesmo tempo. Rebeca mudou de assunto. Foram ao mercado. Quando estavam no caixa, Aisha pegou uma lâmina de barbear cara e falou rindo: — Você vai precisar, melhor levar duas. Ahhhhh, já usou O.B.? Rebeca ficou com cara de boba, sem entender. Ela falou, saindo da fila: — É tudo eu nessa sua vida pacata, né Beca? Vou pegar umas coisinhas pra você, já volto. Será que precisa ser tamanho pequeno porque você é virgem? Não sou há tanto tempo que nem me lembro mais. Rebeca ficou com vergonha. A moça do caixa ouviu tudo e falou, rindo baixinho: — É a quantidade do fluxo menstrual que dita o tamanho, não o seu espaço, sua abertura... Deu uma piscadinha ainda. Rebeca ficou querendo sumir. Nem falou nada, só deu risada. Aisha voltou com espuma e creme de barbear, sabonete íntimo, dois tipos de absorventes e, como se não bastasse, pegou dois pacotes de camisinhas. Rebeca arregalou os olhos, desesperada. Aisha falou, rindo: — Que foi? São pra mim, pega um pra você, nunca se sabe quando vai precisar, só não pode ficar sem e engravidar sem querer. A moça do caixa concordou, rindo. Aisha pagou tudo. Assim que saíram, ela falou: — É lógico que os dois pacotes de camisinhas, não são pra mim, mas eu sei disfarçar, pra sua sorte, um é seu, tá! Rebeca falou, indignada, rindo: — Disfarçar? Você só me humilha! Boca aberta, aí que vergonha, eu nunca mais volto nesse mercado. Nunca! Foram para a casa de Neto. O pessoal já estava lá, era pouca gente. Aisha insistiu muito para Rebeca ir se depilar, para poder usar biquíni. Cansada de passar vergonha, aceitou. Foram para a casa dela. Rebeca não deixou Aisha entrar no banheiro de jeito nenhum. Ela ficou gritando da porta, “dando instruções”. Rebeca saiu já com o biquíni, enrolada na toalha. Aisha ficou elogiando e disse que não imaginava que ela era tão gata. Rebeca colocou um shorts curto jeans desfiado e camiseta. Quando voltaram, Neto estava na piscina. Pâmela saiu para fora com uma bandeja de salgadinhos nas mãos. Rebeca não tinha visto ainda, porque estava de costas, mas percebeu que tinha algo acontecendo, porque Neto a olhou desesperado, parecia tenso.
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