Capítulo 22

1488 Words
Pâmela parou para falar com elas, ofereceu salgadinhos de forma super simpática. Aisha pegou, e Rebeca não. Pâmela falou: — Você tava doentinha, né? Tá melhor amiga? Rebeca respondeu, um pouco séria: — É, estou melhorando. Obrigada por perguntar! Pâmela falou, pegando no braço dela de forma afetuosa: — Tem que comer melhor, né? Eu já tive anemia quando criança, não posso ver fígado na minha frente, comi muito. Sei que isso vai parecer estranho, mas eu sinto que devia falar, porque parece que tá um clima estranho. O Neto falou comigo essa semana. Rebeca respondeu, rindo, irônica, olhando para ele de longe: — Aé? Falou? Pâmela respondeu, sem jeito: — Nós não temos nada, somos só amigos. Rebeca falou rindo: — Que bom pra você, porque ele fica com qualquer uma, é um galinha! É meu amigo, mas não vale nada. — O rodízio é grande. Aisha começou a rir muito. Pâmela ficou desconcertada, mas deu risada. Falou que precisava ir servir o pessoal. Rebeca falou para Aisha: — Dá pra acreditar que ele foi falar de mim pra ela? Que raiva, menino i****a! Ele se acha, sabia? Aiii, olha minha barriga trincada, meu papai deixa eu dar festinhas, nossa, eu levanto 300 quilos na academia, eu sou um menino mimado egocêntrico que se acha um Deus grego! — Minha mãe morreu e eu consigo tudo de mão beijada por isso, todo mundo tem que dizer amém aos meus gostos. Aisha falou que não discordava, mas que Rebeca não podia falar aquelas coisas para ele nunca. Ela respondeu irritada: — E eu não sei? Acho que nunca magoei ele de verdade, a Rebeca é boazinha demais pra machucar alguém. Pobre Rebeca, não tem boca pra nada! — As pessoas tem é sorte, de eu pensar e não falar. Aisha respondeu, rindo surpresa: — Ainda bem. Se começar a abrir essa boca, eu que não quero estar no seu caminho. Perigosa você, hein, gata. — Bora tomar umas bebidinhas? Aahh, não, você tá tomando remédio. Eu tomo assim mesmo, não ligo. A única certeza na vida é a morte, não vou me poupar de viver nada por isso. Rebeca falou que não queria. Foi para dentro com ela. Quando encontraram Júlio cheio de graça querendo fazer as pazes, deixou os dois sozinhos e voltou para fora. Foi ao banheiro da piscina, tirou a roupa e ficou se olhando no espelho, pensando que talvez fosse parecer estranha de biquíni. Ficou sem a camiseta e de shorts. Foi sentar no canto, perto da piscina, onde não tinha ninguém perto. Neto não estava mais lá fora. Aisha se aproximou tirando a roupa e falou que era para ela fazer o mesmo, deitar e tomar sol com ela, que ninguém nem ia reparar nas duas. A maioria do pessoal estava lá dentro, jogando e bebendo. Rebeca, que adorava sol, aproveitou a oportunidade, estendeu a toalha rapidinho, tirou o shorts e deitou ao lado dela. Como o sol estava forte, começou a arder muito os olhos. Aisha estava usando óculos de sol e disse que era para ela ir pegar o do Neto, que usava sempre. Rebeca foi enrolada na toalha, subiu no quarto dele sem falar nada. Lá, tirou a toalha e estava procurando quando ele entrou. A olhou dos pés a cabeça reparando, a achando muito atraente, falou curioso: — Tá fazendo o que aqui em cima? Me procurando? Ela esticou a mão e respondeu séria: — Não, né? Queria seus óculos, me dá! Ele estava usando na cabeça. Entregou e falou, admirando a enquanto ela se enrolava na toalha: — Por que você tá vestida assim? Foi a Aisha, né? Precisa parar de fazer tudo o que ela quer. Rebeca falou que também tinha suas vontades próprias, que não era de fazer as coisas só porque falavam. Ele respondeu com deboche, criticando: — É, mas você nunca foi assim. Agora, depois que começou a andar com ela, usa batom vermelho, pinta os olhos, tá cada vez mais diferente. Estranha e distante. Ela já estava saindo do quarto. Virou-se para ele, decepcionada, e falou: — Eu não sou mais criança, você faz muita coisa que eu desaprovo e eu não fico falando, apontando o dedo pra você. Tá sendo injusto comigo, sempre me colocando pra baixo, me diminuindo. — Sou estranha por querer mudar? Ele disse que não era aquilo. Ela continuou falando: — A verdade é que você tem medo de eu me dar bem, fazer novos amigos e te deixar de lado, conhecer alguém que me vê como sou e que goste de mim, sem ficar colocando defeito em tudo. — Esse monte de gente lá embaixo gosta do seu dinheiro, das festinhas, não são seus amigos. Ele respondeu, bravo: — E são seus? Se não fosse por mim, ninguém nem ia saber quem é você. Nem mesmo a Aisha, olharia na sua cara. — Tá vendo? É disso que eu tô falando. Você não era assim. Tá estranho e fica falando essas coisas, querendo brigar sempre. Ela respondeu, saindo: — E toma a porcaria dos seus óculos! — Tirou e jogou em cima dele. Ele falou, provocando: — Fica bem mais cafona se escondendo com a toalha, tá morrendo de vergonha e querendo se aparecer. Essa, não é você Rebeca. Ela ficou com muita raiva. Tirou a toalha e foi descendo as escadas. Ele estava indo atrás e logo se arrependeu de ter provocado, quando viu todo mundo olhando para ela. Não teve uma pessoa no caminho que não a olhou. Os motivos eram diferentes. Ela era muito branca, sempre estava de calça jeans e roupas escuras, e os homens olharam pelo motivo mais óbvio. Ela estava muito atraente, era uma falsa magra. Aisha ficou olhando de longe e falou, surpresa: — Decidiu desfilar o Globeleza albina? O que aconteceu? Rebeca falou que nada. Ela respondeu: — Não achou os óculos? O que foi? Rebeca deitou de bruços e falou, chateada: — Ele disse que eu estou estranha, cafona, imitando você. Falou que até a maquiagem que eu uso, não combina comigo. Aisha quis saber exatamente o que aconteceu. Deitou para o mesmo lado que ela. Rebeca começou a contar e chegou a chorar, mas ninguém viu nada, porque estavam no canto afastadas e ela só estava olhando para Aisha. Ela disse que não queria se deixar influenciar pelas críticas dele, mas que estava confusa, porque sempre confiou em tudo o que ele dizia. Quando Júlio se aproximou repentinamente, Aisha mudou o assunto e foi para a água com ele. Rebeca acabou cochilando ainda de bruços. Colocou a camiseta para cobrir o rosto. Acordou sentindo alguns pingos de água gelados nas costas. Olhou. Era Neto, que estava dentro da piscina, apoiado na borda, bem perto dela. Ela falou para ele parar. Ele respondeu, continuando com os pingos: — Eu não quero mais ficar brigando com você, pega o óculos. Rebeca falou que não queria. Ele respondeu: — Me desculpa. Eu nem queria trazer ninguém aqui, sabia? Só que tenho certeza que você não ia querer vir sozinha. Faz dias que eu tô tentando ficar com você, conversar. — Eu sei que é minha única amiga de verdade e tem razão, tenho medo mesmo de te perder, eu faço tudo errado, sou um bobo. Nunca mais vou trazer ninguém aqui, só você e a Aisha por causa do Júlio. Ela olhou para ele e ficou quieta. Ficaram se encarando em silêncio. Ele disse que ela estava muito vermelha, perguntou se queria passar protetor solar. Ela falou que não. Ele pediu para ela passar nele. Sentou perto e a molhou um pouco. Rebeca se ajoelhou na toalha atrás dele. Quando começou a passar nas costas, mais embaixo, ele segurou a mão dela com firmeza, até doeu um pouco. Disse que já estava bom, foi se afastando e levantou rápido. Ela foi continuar tentando. Ele ameaçou jogá-la na piscina, prendeu-a em seus braços, de costas para ele. Rebeca pediu para não jogar. Estavam muito próximos. Ele falou com deboche: — Me dá um beijo e eu te solto. Ela falou, rindo, que então podia jogar. Ele a empurrou na piscina e entrou logo atrás. Ela o xingou de i****a, ele se aproximou rindo, abraçando, falou para ela ficar como sempre. Ficaram um pouco mais próximos. Quando ele tentou beijar, Rebeca se esquivou sutilmente constrangida por ter mais pessoas perto. Ele falou, debochando: — Hoje não, Rebeca? Chata! Eu não consigo entender você. Ela falou, um pouco incomodada: — Não tem o que entender, eu já tô cansada de falar com você sobre isso. Eu não quero! Ele perguntou se então podia ficar com outra, ali na frente dela. Ela respondeu, com desdém rindo: — Claro que pode, você fica com qualquer uma mesmo. É um cafajeste! Ele disse que já tinha ficado até com ela. Rebeca respondeu, saindo da piscina: — E é por isso que não vai acontecer de novo.
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