Capítulo 36
Rebeca falou cética:
— Eu só queria te falar que tô bem. Quero saber dele!
Cansada, a Tassiane respondeu:
— Ele tá m*l, de uma maneira diferente, vai se mudar pra estudar e ir morar sozinho, ele não fala com a gente. Por que você veio até aqui desse jeito? Alguém tá te impedindo de voltar?
Ela disse que precisava desligar, meio que desligou na cara da Tassiane. Ela mandou uma mensagem:
“Eu não consigo entender o que aconteceu, Beca. Ele tá com muita raiva, me explica o que tá acontecendo com vocês, não faz sentido. O Célio nunca quis que você fosse embora, todos aqui íamos te ajudar. O que parece é que você tá inventando desculpas pra deixar a gente. Como você estava com o carro do Noah? Ele tá te chantageando? Se a Aisha tivesse viva talvez fizesse algum sentido, mas ela não está. Eu tenho certeza que você nunca ficaria com alguém como ele, você não é assim, por favor deixa a gente te ajudar.”
“O Neto disse que você está mentindo.”
“Ele nunca ficou com a sua amiga.”
Rebeca respondeu:
“Eu só quero ter notícias dele e você precisa aceitar que eu estou bem, agora nós podemos ter contato.”
“Se você quer mesmo me ajudar, para de falar essas coisas, nada disso vai mudar a minha realidade.”
“Se você continuar insistindo vamos perder o contato de uma vez por todas.”
Tassiane nem respondeu, estava arrasada chorando no ombro do Felipe, se sentindo culpada. Ele falou que a Rebeca não era mais a mesma, que a perderam e não podiam fazer nada além de aceitar, aconselhou a Tassiane a tentar manter contato, dar as notícias sobre o Neto, pra assim a Rebeca ter uma ponte até eles e ainda falou:
— Ela sabe onde encontrar a gente, se precisar ela volta.
Era difícil acreditar, mas a própria Rebeca deixou eles pensando que ela estava com o Noah, não simplesmente junto, mas sim como um casal.
O Neto se mudou de cidade para estudar e meio que parou de viver, seu foco era só evoluir e não fazer mais nada, nem se relacionar com ninguém, ele estava realmente sofrendo, mas pelo menos voltou a tentar pensar em si.
Rebeca ficou triste, voltou pra piscina calada. O Toni perguntou se ela estava com fome, por que estava daquele jeito, diferente, e ele não queria ela doente. Ela foi brincar com ele, várias vezes o tocou na água, ficou com ele no colo, pendurado nas costas também.
Depois de saírem da água, a Estela foi dar banho no Toni e a Rebeca foi para o quarto, tomou banho e ficou um pouco lá pensando na vida. Logo começou a se sentir enjoada, com dor de cabeça.
A Estela voltou com o Toni cheio de energia, querendo brincar. Elas foram para a sala montar um quebra-cabeças com ele. O jantar estava quase pronto, quando a Kim chegou com o Noah, ela estava animada, já chegou falando que tinha boas notícias sobre a consulta.
A Estela ficou estranha olhando a Kim falar sobre a futura gravidez, porque a incomodava abandonar ela justamente naquele momento. Com a chegada do bebê, a Kim ia precisar de muito mais ajuda com o Toni e a Estela faria muita falta. Não estava sendo fácil para a Estela abandonar tudo, especialmente o menino.
As duas precisavam ir para a boate trabalhar, Rebeca e Estela. O Noah disse que ia depois, que era pra elas falarem com o Levi se tivessem qualquer problema, deu o carro para as duas irem sozinhas.
Rebeca nem jantou por não estar se sentindo bem, mas não disse nada para a Estela.
Chegando na boate, a Lara estava arrumando as salas reservadas. Quando saiu viu a Rebeca, ela estava atrás do balcão arrumando as coisas no caixa. A Lara se aproximou, falou com ela do mesmo jeito de sempre, simpática:
— Oiii, olha só quem resolveu trabalhar.
Rebeca sorriu, falou cabisbaixa:
— Oi, no caso você mesma né? Porque eu tô trabalhando direto.
A Lara falou encarando ela:
— Verdade, sentiu minha falta? Tudo bem?
Rebeca falou séria:
— Não né, você me distrai toda. Tudo e você?
O Levi chegou falando com a Lara, dando ordens. Ela respondeu ignorando ele com graça:
— Tudo ótimo, melhor agora aqui com você.
Rebeca olhou pra ele. Ele falou se afastando:
— Quero vocês duas bem longe, pelo menos durante o expediente. Lara, anda logo!
Ela piscou para a Rebeca e se afastou, foi fazer outras coisas.
O Noah chegou, foi para o escritório. A boate estava lotada de universitários, era aniversário do filho de um juiz muito rico e influente. Tinham poucas meninas junto deles, eles estavam em uma área vip que ficava perto de onde a Lara dançava, pegaram tudo do melhor, combos de bebidas caríssimos.
Logo ela foi para o palco. Eles estavam dando dinheiro como gorjeta. O aniversariante, mais ousado, começou a colocar notas de cem enfileiradas e chamou por ela, perguntou o nome.
Quando ela se aproximou fez o de sempre, chamou ele pra subir, sentar na cadeira. Às vezes, em ocasiões especiais, ela convidava alguém pra subir, sentar e dançava mais próxima, fazia até lap dance.
O rapaz ficou louco por ela, quase a beijou no palco e a convidou pra ir na sala reservada, disse que aquele dinheiro já era dela e que poderia dar mais, se ela aceitasse o convite.
Ela flertou um pouco e recusou, porque viu que a Rebeca estava sem olhar pra ela há muito tempo e séria.
Todos estavam ocupados, todas as salas tinham clientes. A Estela estava pra fora ajudando a atender o pessoal mais importante, tinham mais funcionários lá também.
A Lara aproveitou uns minutos que teve, fez um suco e levou para a Rebeca. Ela pegou, agradeceu, deixou no cantinho. A Lara falou do lado de fora do balcão, esticando a mão pra pegar na Rebeca:
— Eii, o que foi?
Rebeca disse que nada. A Lara falou:
— Quero conversar com você. Depois, vamos embora juntas?
Rebeca disse:
— Não.
A Lara respondeu confrontando ela:
— Não? Tá brava comigo?
Rebeca falou irritada, se aproximando:
— Não, Lara, eu tô trabalhando, hoje eu não tô bem, que dro.ga!
Elas se tocaram por cima do balcão. A Lara falou segurando nas mãos da Rebeca acariciando:
— Desculpa, você tá gelada, o que você está sentindo?
O Noah entrou lá, chamou pela Rebeca, falou chamando a atenção da Lara:
— Você não devia estar trabalhando?
Ela falou que a Rebeca não estava bem. Ele se aproximou das duas, perguntou o que a Rebeca tinha. Ela falou encostada indisposta:
— Eu só preciso tomar um ar, ir no banheiro, me dá uns minutos?
Ele falou pra ela ir na cozinha, disse que era pra avisar se não melhorasse. A Lara ia ir atrás, ele disse que era pra ela ficar no lugar da Rebeca.
Ele foi falar com o Levi, deu uma volta. Rebeca foi para o banheiro, lavou o rosto. Ela estava se sentindo m*l sem saber o porquê.
O Noah bateu na porta, perguntou se podia entrar. Ela disse que sim, estava encostada na pia de cabeça baixa.
Ele foi entrando, se aproximou, encostou nela de forma cuidadosa a segurando pela cintura, longe demais pra ser saf.ado, ou parecer que tinha segundas intenções, mas perto demais pra sentir seu cheiro, sua pele. Ele até mexeu no cabelo dela sutilmente, colocando para atrás dos ombros.
Quando ele encostou no pescoço dela, perguntando se ela tinha comido, ela levantou a cabeça, olhou pra ele pelo reflexo do espelho, sentindo arrepio pelo corpo todo, suas costas esquentaram começaram a formigar, ela falou se afastando abruptamente:
— Não, desculpa, eu já vou voltar. Me deixa.
Ela se virou de costas para o espelho, de frente pra ele, só que mais para o lado, disse séria o evitando:
— Vai lá, eu já tô indo.
Ele percebeu que a intimidou com tanta proximidade, mesmo que sem querer, e ele também se sentiu muito atraído, disse que o Levi ia levá-la pra casa, a deixou sozinha.
Ela saiu logo em seguida, foi falar com a Estela. O Levi se aproximou, chamou a Rebeca pra ir. Ela passou falar com a Lara, disse que ia começar a beber os drinks, porque o suco não estava fazendo muito bem.
O Noah estava olhando de longe.
As duas se despediram trocando risadinhas, a Rebeca foi pra casa. No caminho o Levi foi falando da Lara, indiretamente disse que ela era muito intensa e que não era pra Rebeca levar ela muito a sério, porque ela era um espírito livre, e ninguém acompanhava o ritmo dela.
Como a Rebeca estava passando m*l não deu muita atenção, só disse que não ligava para o jeito da Lara e que ela estava sendo muito legal.
Ele perguntou se ela ia na festa, disse que era aniversário dele e da Lara. Rebeca falou que odiava aniversários, que ia deixar para a próxima.
A Kim estava acordada esperando por ela, a recebeu já no portão, perguntou o que ela tinha, foi entrando próxima, abraçada, segurando na Rebeca de forma atenciosa, levou ela pra sala, a colocou no sofá, deu chá e remédios pra ela, deitou junto, ficou assistindo. Rebeca só disse que estava com muita dor de cabeça, azia e tontura.
Kim disse que o Toni estava enjoadinho também, que ele tinha acabado de dormir.
Rebeca estava quieta, quase não conversaram. Ela logo foi para a cama e dormiu a noite toda porque tomou calmante.
Na manhã seguinte a Estela acordou ela bem cedo. A Kim foi no quarto delas, disse que era pra ela comer e bem, porque ela ia na autoescola.
Rebeca disse que estava melhor, foi se arrumar, pediu ajuda para Estela, pra escolher uma bolsa.
A Estela falou surpresa:
— Bolsa? Você nunca usa, tá aprontando o quê?
Rebeca falou irônica:
— Ué, eu acho que vou ficar menstruada, também preciso de dinheiro pra ficar na rua.
Estela deu uma bolsa desconfiada, ficou olhando, falou rindo:
— Cadê o absorvente? Esqueceu?
Rebeca falou baixinho:
— Você é demais né? Vou ver se consigo ir no hospital ver o Dani, queria levar uma coisa pra ele.
Estela falou que era pra ela tomar cuidado com as mentiras, porque eles não iam gostar se descobrissem. Rebeca respondeu debochada:
— Quem tá mentindo? Eu não! Relaxa, eu me viro.
Kim ia sair e levou a Rebeca, disse que ia buscá-la mais tarde. Ela ia começar com as aulas teóricas.
Quando a Rebeca saiu da aula, mandou uma mensagem para a Kim perguntando se podia ir embora depois, porque queria comprar umas coisas, andar nas lojas.
Kim disse que podia, e que o Toni estava passando m*l e que ela nem tinha se dado conta do horário. A Rebeca falou que podia ir embora de ônibus.
Kim disse que era pra ela ir de Uber, perguntou se ela sabia pedir. Ela mentiu que sim, disse que tinha dinheiro e que se tivesse qualquer problema, ligava.
Ao desligar, a Kim chamou a Estela, perguntou se ela achava que a Rebeca ia ficar bem sozinha. Estela falou rindo:
— Claro, sabe ela comentou que sente falta de andar, ficar um pouco sozinha, ela se sente muito presa aqui, como um pardal. Foi ela que disse, um pardalzinho.
Kim falou apreensiva:
— É, eu imagino. Então fica de olho no celular, manda uma mensagem pra ela daqui uma meia hora pra ver se está tudo bem. Vou dar banho no Toni antes da gente almoçar.
Rebeca saiu sorrindo sozinha, pediu informações na auto escola, passou comer uma coxinha e foi para o hospital de ônibus.
Lá perto só achou uma loja de pet shop, comprou uma bolinha anti estresse e levou para o Daniel.
Ele estava dormindo quando ela chegou. Ela conversou com o primo dele, disse que não podia ficar muito tempo, que só tinha ido levar uma lembrancinha.
O Daniel resmungou:
— Eu disse que não ia sair daqui.
Ela se aproximou da cama, sorriu, falou irônica:
— Oi, eu trouxe uma coisinha pra você. E já vou adiantando que preciso de um favor!
O primo dele disse que ia sair e que já voltava. O Dani falou brincando:
— Pode pedir o que quiser, mas eu só faço o que consigo.
Ela deu a bolinha, colocou na mão dele, disse que precisava aprender a pedir Uber.
Começaram a conversar, ele ajudou a baixar o aplicativo.
Quando a Estela mandou mensagem, a Rebeca respondeu, disse que deu certo, perguntou como estavam as coisas em casa.
Estela disse que não era pra ela demorar muito só, mas que estava tudo certo.
Rebeca falou ao Daniel que já ia embora, mas que voltava assim que possível.
Ela voltou para casa de Uber, escondendo a onde foi, Noah viu e não comentou com ninguém.
Sendo muito esperta, Rebeca fez a mesma coisa a semana toda, mentindo e achando que o Noah não estava sabendo, ele ficou intrigado mas até então pareceu algo normal ela simpatizar com o Daniel. E Noah, começou imaginar que se ela estava indo com frequência, deveria estar fazendo algo, para curar ele também e preferiu pagar para ver.